A Casa

Todos os anos, “procurando garantir o envolvimento e a participação de todos os membros da comunidade escolar, através de diferentes estratégias e instrumentos de sondagem, escolhemos um tema, bastante amplo, que possa atender ao maior número de anseios e desejos, para ser o universo de pesquisa na Instituição. A esse recorte chamamos Projeto Institucional”.

Ao final deste ano marcado por uma pandemia e muitas limitações, nosso Projeto Institucional pareceu ter antevisto discussões tão necessárias e pungentes: Urgente! Cuidar da Terra é cuidar da gente. Ao nos debruçarmos sobre as diversas sugestões para 2021, enviadas pelos responsáveis nos questionários de avaliação e no diálogo travado nas assembleias, percebemos que havia quem defendesse a manutenção do tema, dizendo: “Não vemos tema mais relevante do que a questão ambiental e os resultados da ação humana na Terra.” Mas também quem achasse que “é importante virar a página e renovar. Um novo tema pode trazer maior motivação…Novo ano, novas energias e novos trabalhos podem suscitar mais curiosidade”.

Como revisitar o tema de 2020 a partir de nova abordagem, que evite os perigos apontados pela repetição ou falta de novidade? Fomos pesquisar nossa história, os Projetos já trabalhados. Encontramos um que acreditamos ser capaz de atender à tendência de permanência para maior exploração e também a de mudança, trazendo frescor e motivação.

Escolhemos reeditar A Casa, tema de 2006, pela lembrança de sucesso do trabalho realizado e por acreditarmos que poderá acolher grande parte das sugestões que apareceram em nossas discussões.

A palavra ecologia é formada pelo prefixo eco-, procedente do grego oiko-, que significa casa, e pelo sufixo grego -logía, que se associa ao vocábulo logos, em referência ao raciocínio, à ciência e ao estudo. Então, podemos considerar que a origem da palavra está ligada ao estudo da casa.

Trataremos novamente A Casa como categoria dinâmica e simbólica, que poderá ser abordada de diferentes maneiras, significados e dimensões. Desde o nosso corpo, como nossa primeira casa, com seus aspectos biológicos e emocionais, como nosso lar, cidade ou país, até A Casa como planeta, biosfera que nos acolhe, não só à humanidade, mas a todos os seres que já viveram, que vivem e que viverão, num futuro que é nossa responsabilidade preservar.

Neste tempo em que somos obrigados a restringir nosso espaço e nos isolar em casa, vamos ampliar esse conceito, buscando refletir sobre tudo que nos abriga e protege, sobre como cuidar dessas diferentes casas, como cuidar de nós e dos outros seres vivos que compartilham conosco essas diferentes moradas. Mas também pensar o que pode nos ameaçar se não soubermos cuidar e preservar a natureza.

O que precisamos mudar em nossas atitudes para preservar a vida?

Queremos buscar os alicerces da construção dessa Casa nas relações sociais. A Casa entendida não apenas como espaço físico, mas como esfera de ação social, de posicionamentos éticos, políticos, de expressões culturais. Na diversidade das interações humanas, valorizar o respeito, o diálogo, a escuta ativa, a empatia, a colaboração e a cooperação como atitudes positivas para se construir uma Casa para todos. Nas relações familiares, comunitárias e entre povos, identificar formas de garantir a democracia, o desenvolvimento econômico e sustentável, a erradicação da pobreza e a paz mundial, os direitos humanos e os direitos da Terra. Refletir sobre as desigualdades, a diversidade, os preconceitos. Enxergar essa Casa como espaço não somente de direitos, mas de deveres com aqueles que o compartilham conosco. Utilizando uma lógica que permita englobar os elementos de nosso contexto social em um todo significativo.

Caminharemos em busca de utopias e sonhos. Precisamos imaginar formas de melhorar o mundo! Reconhecer a capacidade inventiva da humanidade – na ciência, na tecnologia, nas artes – como recurso a serviço de uma construção acolhedora para todos, não apenas para alguns.

O corpo, o lar, a rua, a cidade, o país, a nação, o continente, o planeta poderão ser contextos privilegiados na pesquisa sobre as diferentes “casas” que podemos habitar. Vamos escutar atentamente os interesses de nossas crianças e adolescentes para escolhermos, juntos, o caminho de cada turma.

Está lançada a ideia. Agora é ouvir o que eles têm a nos dizer, procurar caminhos que os levem a sentir-se motivados, curiosos e desejosos de crescer nessa aprendizagem.