Tec aqui, tec lá. O que mais podemos inventar?

“O pensamento é nuvem,
O movimento é drone.”
Gilberto Gil

 

Desde pequenos somos movidos pela curiosidade a desvendar os mistérios da vida. É através da experimentação que exploramos o mundo, vamos construindo hipóteses e expressando nossa capacidade criativa na busca de soluções para os desafios do dia a dia.
Nesse caminho, podemos pensar: que necessidades ou motivações deflagraram a criação de  objetos, ideias e conceitos? Quem os criou? Para quem? Quando? O que podemos aprender através da nossa relação com o ambiente?

“A tecnologia está cada vez mais presente em nossas vidas, e precisamos aprender a nos situar,  compreender o que ela é, quais são as diversas maneiras de usá-la, tanto positiva quanto negativamente. É importante estudá-la e entendê-la a partir de seus marcos históricos, como a revolução industrial, e projetar avanços futuros.”  Assim argumentou um dos grupos de nossos alunos.

Sabemos que o desenvolvimento tecnológico, impulsionado pelas revoluções industriais, causou profundas transformações no modo de vida, de produção, nas relações de trabalho, nos padrões de consumo, alterou a relação do homem com a natureza, trouxe avanços nos diversos campos do conhecimento social, científico, econômico, e provocou inúmeras mudanças.

O historiador Yuval Noah Harari descreve três grandes revoluções, na história do Homo sapiens, que elevaram nossa espécie ao topo da cadeia alimentar. A cognitiva, a agrícola e a científica. Comum às três, a série de novas tecnologias, descobertas pela humanidade, que transformaram sua forma de intervir no mundo, dominar as outras espécies e a natureza, no pior sentido da palavra antropocentrismo.

Hoje, vivemos uma revolução técnico-científico-informacional. As religiões, a indústria, a ciência, a educação, entre outros campos da atividade humana, estão utilizando, intensamente, as redes de comunicação, a computação… Diante dessa realidade, a humanidade tem grandes desafios políticos, econômicos, sociais e éticos.

A arte tecnológica também assume essa relação direta com a vida, gerando produções que levam o homem a repensar a própria condição. A ficção científica e seus autores tentaram prever o futuro e seu impacto sobre a civilização. Artistas visionários e profissionais de tecnologia se alimentaram das mesmas fontes para produzir. Podemos constatar que, ao mesmo tempo em que equipamentos multimídia, códigos de programação e objetos eletrônicos vão ganhando status de obras de arte, projetos de arte digital interativos e envolventes se confundem com obras tecnológicas. Assim, arte e tecnologia vêm permitindo às pessoas expressarem sentimentos, pensamentos e crenças mais profundas, gerando novas formas de entender o mundo, agir e, quem sabe, transformá-lo.

A tecnologia tem revolucionado a Medicina, aumentando nossa expectativa de vida e vencendo batalhas contra muitas doenças. No entanto, ainda enfrentamos desafios importantes, como o de distribuir e compartilhar as vacinas anticovid com todo o mundo. E, mais uma vez: quais são os dilemas éticos e morais que vivemos no progresso dessa ciência?

A Matemática, como campo de conhecimento, tem desenvolvido possibilidades e provocado impactos antes inimagináveis, como a inteligência artificial e a presença dos algoritmos em nossas vidas. Nossa liberdade de pensamento está correndo risco, ao ser influenciada por esses fatores? Como eles interferem na construção de nossos valores e visão de mundo? O que as diferentes mídias nos induzem a consumir?

A incorporação de novas tecnologias na agricultura altera as relações de trabalho. Aumenta a produção, mas pode apresentar-se ora como vilã, ora como possibilidade de se obter um mundo mais justo e, talvez, mais sustentável. Energias alternativas são esperança de uma relação mais amigável com o meio ambiente.

O progresso tecnológico e a automação apontam também para o desemprego, e trazem o desafio de desenvolver novas habilidades profissionais, novas formas de provimento da subsistência, que possam atender às demandas dessa nova realidade. Quais serão as profissões e as ocupações do futuro?

A exacerbação do consumo, a assimilação de um mundo cada vez mais virtual, a supervalorização das redes sociais, o isolamento social, enfim, uma série de novos comportamentos tem colocado grande parte da sociedade em uma espécie de crise coletiva e interferido nas relações humanas. Como nos aponta Zygmunt Bauman, com o conceito de modernidade líquida, nem todas as pessoas conseguem conviver com incertezas e mudanças constantes, em ritmo cada vez mais acelerado, o que tem gerado problemas e desafios. Será preciso, cada vez mais, educar para um pensamento flexível e para  a adequação a essa sociedade em constante transformação. Sem um olhar crítico para o novo mundo, não poderemos superar essa crise.

Por fim, ficam muitas perguntas a serem respondidas. O que é tecnologia? O que é artefato? O que é analógico e o que é digital? E pós-digital? Aonde as tecnologias digitais têm nos levado? O que desejamos para o futuro, e como as novas tecnologias têm projetado e influenciado nossas vidas?

Nesse contexto de tantas indagações e reflexões é preciso encontrar caminhos de encantamento, experimentação e descoberta, para esperançarmos.

Buscaremos valorizar as relações humanas, a criatividade e a sustentabilidade dentro da realidade tecnológica.