novembro – 2013

A Proposta

José Saramago começa a sua “A maior Flor do mundo” assumindo uma dificuldade de escrever para crianças, mas diz que, ainda assim, gostaria de contar uma história para elas, e conta. Termina sugerindo que gostaria de ler histórias para crianças, escritas pelo seu leitor – supostamente criança – só que muito mais bonitas. A proposta para as turmas foi escrever essas histórias bem bonitas e dedicá-las às crianças menores da Sá Pereira. Fazemos o convite para a leitura de “A maior flor do mundo” e das nossas histórias inspiradas por ela.

Reconto 1, especialmente para a F5M.

Por Helena Macedo, Joana e Letícia

Tinha uma flor em cima do morro,
em cima do morro tinha uma flor.
Nunca esquecerei do dia em que salvei aquela vida.
Tinha uma flor em cima do morro,
em cima do morro tinha uma flor.

Um rio passava perto do tal morro. E, agachado ao lado do rio, com as mãos em concha, um menino pegava o máximo de água que suas mãos aguentavam. Subia a colina e regava o solo da flor com as poucas gotas que restavam em suas mãos. A cada gota recebida, a flor aparentava mais viva.
O dia estava muito quente, mas mesmo assim o menino estava empenhado em sua missão. A cada viagem até o rio, a paisagem parecia mudar. Ora via-se em Marte, cercado por pedras roxas, ora se via apenas o branco da paisagem invernal, que logo se transformava em dunas de areia.
Depois de dar a volta ao mundo e viajar por todas as galáxias, o menino deu-se enfim por satisfeito, deitou-se ao pé da flor e dormiu a sua sombra. Quando acordou já estava em seu quarto.
Bem, se o menino era eu ou não, já não me lembro. A única certeza é que:
Tinha uma flor em cima do morro
em cima do morro tinha uma flor.

Reconto 2, especialmente para as F1.

Por Gabriel Brandão e João Daniel

Era uma flor muito encantada,
não tinha fim, não se acabava.

As pétalas ninguém entendia, não,
pois elas tinham enorme extensão.

Ninguém podia em seu topo chegar,
porque a sua altura era de assustar.

Ninguém conseguia parar de olhar,
pois sua beleza era de admirar.

Foi um garoto que a salvou
Com toda coragem que demonstrou.

E a flor com a sua gratidão,
cobriu-o quando ele dormiu.

E ela era muito irrigada
no morro das flores,
donde foi plantada.

Reconto 3, especialmente para as F2.

Por Dora e João Pedro

Estava andando, observando o caminho a sua volta. O menino nunca tinha visto aquelas árvores. Chegou a um lugar tão quieto que ele só ouvia duas respirações. A dele e a da flor. Ela estava virada para baixo, olhando o chão. Mesmo assim, gostou dela. Achou bonita. Mas não foi a beleza dela que fez o menino correr para pegar água. Sua mão era muito pequena, não conseguiu pegar mais de três gotas. Colocou na flor. Voltou vinte vezes e, de gota em gota – que poderia ter usado para resolver a sua sede ou os seus machucados nos pequenos pés descalços – a flor ia se levantando, cresceu e ficou bem alta. Ele não conseguia mais alcançá-la, nem na ponta dos pés. Mas ela produziu uma sombra boa, e ele estava cansado. O menino caiu no sono, nem percebeu quando seus pais o chamaram. Mas os pais perceberam a flor e foram em sua direção, andando pelo mesmo caminho que o menino. Ficaram muito orgulhosos ao verem o filho. E a flor também ficou.

Reconto 4, especialmente para as F3.

Por Alexandre, Gabriel L. e Luiza

Depois de duas horas desde o desaparecimento de Joaquim, seus pais finalmente decidiram procurá-lo.
Saíram de casa. A mãe, já desesperada, ligava para todos os conhecidos enquanto o pai gritava.
Todos da vila onde moravam saíram às ruas em busca de Joaquim. Ele era um garoto muito querido, e todos resolveram ajudar.
Depois de procurar por toda a cidade, ninguém havia encontrado um fio de cabelo de Joaquim sequer.
Foi então que sua tia viu uma flor que agora surgia. “Olhem!” – gritou. E todos foram ver. Afinal, não era comum uma flor já nascer gigante.
Quando chegaram perto viram a maior flor de suas vidas. Aos pés dessa flor estava Joaquim, dormindo coberto por uma pétala. A felicidade foi geral. Todos correram em direção ao garoto, que acordou por causa do barulho.
Seus pais o levaram para casa, onde perguntaram várias vezes o que tinha acontecido, sem nunca realmente entender.

Reconto 5, especialmente para as F4.

Por João Lins e José

Que bichinho mais estranho – pensou Vinícius, olhando para uma espécie de besouro por um dos oito furinhos feitos por ele em uma caixa de sapato velha, encontrada na rua.
O carro onde se encontrava, com seu pai no volante, balançava barbaridades e, por isso, Vini torcia para chegar logo em casa.
Quando chegou ao seu tão sonhado destino, foi em direção ao quintal, queria observar tranquilo o seu besourinho de estimação. Mas, ao cometer a imprudência de abrir a caixinha, o perspicaz inseto conseguiu a sua tão sonhada fuga. Vinícius ficou desesperado, enquanto via seu bichinho sumindo no horizonte. O menino saiu atrás, pulou o cercado, atravessou o rio, não podia perder de vista aquele pequeno animal. Mas, no meio do caminho acabou encontrando uma flor, que lhe distraiu do inseto. Ela estava quase morrendo, merecia sua atenção. E o menino, corajosamente, subiu e desceu a montanha várias vezes, em suas mãos de concha só restavam três gotas de água de cada vez. Aos poucos, a flor foi ganhando vida e ele, exausto, cansado, doído, se ajeitou perto dela, já viva e gigante a esta altura, e descansou feliz por ter conseguido salvá-la.

Reconto 6, especialmente para as F5.

Por Alice, Helena Telles e Maria Eduarda

Três pingos
O menino estava brincando,
em seu quintal viu o sol,
estava tão perto, tão longe,
que pensou que pudesse tocá-lo.

Em uma longa jornada se aventurou.
Montanhas escalou,
Rios nadou.
O tempo passou.

Quando chegou ao mais alto pico da montanha
o sol já havia se posto.
Em seu lugar,
avistou uma não tão bela flor.

Assim como o sol,
seu brilho não era mais visível.
Pelos rios e montanhas novamente passou.
Para salvar a flor, a água buscou.

Em sua pequena mão
apenas três pingos restaram.
Depois de ir e vir, a flor se salvou.
O menino cansado, na sombra da flor, então, descansou.

Reconto 7, especialmente para as F2

Por Arthur e Maurício

Carta ao menino que salvou a maior flor do mundo,

Nos dias de hoje, as pessoas não ligam muito para a natureza, por isso decidimos te dar os parabéns pela sua ação de ir regar a flor, já quase morta, mesmo sendo tão difícil encontrar água naquele lugar, mesmo tendo que ir e voltar várias vezes, mesmo ficando tão machucado e exausto.
Achamos isso muito responsável e cuidadoso de sua parte. Você, ainda tão criança, mostrou um comportamento evoluído, achamos que poucas pessoas fariam isso. Sabe? Nós nos surpreendemos muito quando soubemos, porque quando éramos crianças fizemos pouco esse tipo de ação, principalmente porque os amigos riam se regássemos flores no jardim, por exemplo. Somos parecidos, mas você não ligou para o que os outros iam pensar de você… Parabéns!!

Reconto 8, especialmente para as F1

Por Bento e Clara

Havia uma flor presa em um castelo. Um dia, um pequeno salvador da natureza estava passando por lá, e viu que a flor estava quase morrendo. Mas o que ele não sabia é que a flor era amaldiçoada. A maldição fazia com que a água matasse a flor, ao invés de fazer-lhe bem. Como não sabia disso, num gesto bondoso, andou muito tempo até que encontrasse um rio. Ao chegar, viu que não tinha como levar a água, então, o jeito foi levar nas mãos em concha. Ao retornar ao castelo, a água foi ficando pelo caminho. Pensou, pensou, e acabou tendo a ideia de levar a flor até o rio. Mas, como pegar a flor sem ser visto? Ele se arriscará, mas fará!! Escalou o castelo pelo lado de fora, chegou ao topo, pegou a flor e desceu novamente. A sorte da flor, como veremos, é que para chegar ao rio só passando pelo deserto.
O pequeno salvador estava cansado e sangrando, por conta dos espinhos pelo caminho. Ao andar pelo deserto, a flor foi revivendo e também com todo o amor que recebia de seu salvador ela já parecia outra. Essas eram as condições para que a maldição fosse quebrada.
Chegaram ao rio, a flor bebeu a água, já não estava mais amaldiçoada e ficou mais viva do que nunca. Ele continuou andando até chegar a uma floresta, abriu um buraco para replantá-la e disse que ali, sim, era seu lugar. A flor virou a mais bonita daquele lugar e o menino a salvou novamente.