Bem-vinda a Poesia!

As F7 começaram a se aproximar do universo da poesia, aproveitando a imagem da janela, muito presente nas reflexões em torno do Projeto Institucional. Depois de escolher e observar uma janela da própria casa, e já contando com várias fontes de inspiração – Cecília Meireles, Alberto Caeiro, Manoel de Barros, Cazuza e Renan Inquérito – as turmas deram os primeiros passos na produção de um texto poético.

A Imaginação do Simples Olhar

Da minha janela qualquer um vê uma rua com pessoas, carros estacionados, árvores tão altas quanto o céu, uma banca de jornal e um supermercado; porém, diferente de todos, eu vejo uma carruagem com pedrinhas brilhantes com cores que eu nem sabia que existiam, príncipes e princesas, plebeus e plebeias, ruas com ladrilhos  tão brilhantes quanto a menor estrela do céu que, na verdade, nem é tão  pequena assim. Vejo o castelo real e a vila, tão miserável quanto imaginei, enxergo lá de longe a luz do velho poste, da minha pequena cidade, que já nem brilhava mais. Entretanto, o que mais me chama a atenção é o sussurro do alto canto do pássaro.
Assim é a visão de fora da minha janela, pena que mais ninguém vê assim, afinal “a visão e o recurso da imaginação ” (Manoel de Barros: 59)

Aisha

Minha Janela

Da janela, vejo o céu cinza com nuvens pesadas, espalhadas.
No horizonte há árvores com sinais do outono.
O sol já está caindo, querendo se esconder no meio da neblina querendo desaparecer.
No gorjeio dos pássaros já estão indo embora, seu destino é o ninho, aconchegante e quentinho.
Vejo montanhas espalhadas na paisagem e trabalhadores chegando em casa no aconchego de suas casas .

Ayme

A Trilha do Sol

Da minha janela eu vejo
a vastidão do mar
que balança de lá pra cá
acompanhando os pássaros e os ventos
a caminho de onde o sol levar.

Pode ser deserto, terra ou mar,
eles nunca vão parar.

Theo

Simples Detalhes

Como de costume, ficava na janela a árvore centenária transbordando vida e alegria.
Entre suas falhas, sem folhas, os raios do sol mostravam seu brilho.
O som calmo da manhã me fazia ouvir os detalhes, os mais suaves e sutis.
Queria fazer parte das árvores como os pássaros fazem.
Queria viver sem propósito, voando, sem rumo.
Sem me preocupar com quem serei, quem sou e para onde vou.

Cora

A Repetição

Na minha janela,
eu vi a manhã pousada em uma pedra, prestes a decolar, eu vi no céu um reflexo do mar azul, com os seus peixes voando. Eu também vi aqueles não-submissos pagarem os seus pecados, os quais necessitam “submitividade”; o céu azul, desazulava; a manhã que decolava, rastejava pelo chão; eu vi um cão, que calado latia pelo asfalto. Eu vi os dias serem todos iguais, eu vi uma repetição repetida.
Na minha janela,
eu vi a manhã pousada em uma pedra, prestes a decolar; eu vi no céu um reflexo do mar azul, com os seus peixes voando. Eu também vi aqueles não-submissos pagarem os seus pecados, os quais necessitam “submitividade”, o céu azul, desazulava; a manhã que decolava, rastejava pelo chão; eu vi um cão, que calado latia pelo asfalto. Eu vi os dias serem todos iguais, eu vi uma repetição repetida,
Na minha janela,
eu vi a manhã pousada em uma pedra, prestes a decolar, eu vi no céu um reflexo do mar azul, com os seus peixes voando. Eu também vi aqueles não-submissos pagarem os seus pecados, os quais necessitam “submitividade”, o céu azul desazulava; a manhã que decolava, rastejava pelo chão…

Luisa

A Árvore das Invenções

Na minha janela. O que vejo? O que sinto? O que eu queria ver? Na minha janela tem um triste prédio. Eu não sinto isso. O que sinto de verdade? O que me faz sorrir quando abro em vez dos meus olhos o meu coração para a janela é ver uma árvore.
Uma árvore enorme. Grossa. Imponente. Majestosa. Uma árvore solitária. Que não precisa de ninguém para ser incrível. Sem medo do abandono.
Eu converso com a árvore. Sempre. Mas ela não me dá resposta. Parece que não fala. Que não ouve. Não me quer.
Viro de costas para a árvore. Encho minha cabeça com pensamentos “arvorísticos”. Verdes. Marrons. Aí, sim, consigo ouvi-la. Quando invento meus pensamentos consigo senti-la. Fiquei aliviada em ouvir sua voz fina e delicada.
Depois de minha conversa, comecei a conhecer minhas novas janelas, novos sentimentos. E para conhecê-los preciso inventar meu conhecimento.”Invento para me conhecer”.

Letícia

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Da janela de meu quarto vejo minha máquina de lavar… sinto vontade de ir ao mar nadar, brincar na praia em pleno pôr do sol.

Lucas

Cristo da Minha Janela

São 6 horas da tarde
vejo o cristo do meu quarto
a lua já se apagou e lá vem a luz solar
o povo lá de cima não espera.
Houve um tempo em que a minha janela
se abria para o meu café
houve um tempo em que
a minha janela abria sobre
uma floresta que parecia
feita de papel,
o cristo mora na minha frente.

Micael

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Chegando no meu quarto, vejo minha janela, chego perto dela, abro-a e vejo um lindo jardim de flores brilhantes e coloridas, vejo também um homem feliz, pintando as flores com sua felicidade. Fiquei feliz, animada, senti vontade de cantar, logo eu fecho os olhos, me sinto como um pássaro. Quando abro, não há mais jardim nem flores, ou até homem, percebo que foi tudo uma fantasia. Quando olho pela minha janela vejo uma cidade completamente cinza, com pessoas tristes e estressadas, então me viro de costas e “eu sustento com as palavras o silêncio do meu abandono.”

Flora

Minha Janela

Da janela vejo o céu que cobre tudo o que vejo.
Da janela vejo o chão que sustenta tudo o que vejo.
Da janela sinto o vento que assopra tudo que vejo.
Da janela ouço pássaros cantando quebrando todo silêncio.
Quando olho pela janela eu vivo no meu relento.

Alex

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Da minha janela vejo um mundo incrível para explorar, cheio de aventuras e diversão; acordo de manhã e já vou todo animado olhar e me aventurar nesse mundo incrível.
O que eu mais gosto é da convivência das pessoas, elas todas trabalham como uma família unida.
O mundo é muito grande, então faz sentido nos unirmos e explorá-lo.

João Ivo

Minha Janela

Olhando da minha janela vejo a noite escura, vejo flores, também vejo altas construções que chamamos de prédios. Em um desses prédios, vejo um espelho, neste espelho demoro para ver algo, mas quando me supero e vejo… me enxergo no meu quarto, dormindo. Vejo coisas que não estão lá, que nunca estiveram, e nunca estarão. Na verdade, estou em um sonhar eterno, retratando o que não existe.

Francisco

Minha Janela

Da minha janela, vejo prédios e mais prédios. À noite eu vejo escuridão e mais escuridão.
Um dia, virei de costas e imaginei o que eu gostaria de ver, olhei para trás e então vi um lugar silencioso, cheio de pássaros cantando.
Eu gostaria de ficar aqui, mas não posso, pois tenho uma rotina para cumprir.

Felipe

Vista, Bela Vista

Olhando através da janela enorme, famílias passeando, sorrindo, dançando, sapateando conforme o código de pedras portuguesas, crianças à milanesa, o mar e sua beleza.
Ondas constantes já estão decididas. E eu? E minha vida?
“Invento para me conhecer.” Descobrindo desejos desconhecidos, escondidos, trancados a sete chaves lá no fundo do coração?
E a verdade? A verdade não é bonita, não traz prazer. Não dá vontade de continuar.
Por isso costumo me fechar, e observar, imaginar, construir, tendo cada vez mais um desejo maior. “Tenho o privilégio de não saber quase tudo, e isso explica o resto”, o mais profundo.

Julieta

Janela da Visão

Da minha janela, nada de interessante eu vejo. Lá, apenas uma parede e a escada do vizinho meus olhos conseguem capturar.
Para minha visão mudar, meus olhos hei de fechar. Como numa televisão, mudei de canal e meu olhar muda para a mais bela das visões, pois eu gosto mesmo é do “absurdo divino das imagens”, e o absurdo é a mais bela das visões.
Tudo isso, imagino de uma janela desinteressante.

Sebastião

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Sentada na frente da minha janela
vejo árvores, castanhas,
prédios tão altos e lindos.
Parece que estão nas nuvens.
Sentada na frente da
janela vejo uma rua
e nela há uma padaria,
com pães deliciosos.

Há um restaurante e um bar,
mas o melhor é a pracinha
que dá para brincar.

Clara

Felicidade nos Mínimos Detalhes

Na minha janela, nenhum raio de sol ilumina, prédios cinzas, sem graça. Mas embaixo de um toldo um homem, um velho cantando suas músicas e iluminando os dias tristes e cinzas, dando cor ao mundo e alegria ao lugar que sempre estava triste.

Maiara

Olhar

Olho minha janela e vejo apenas prédios e mais prédios, desigualdade, mas quando penso no olhar desejo ver árvores e mais árvores, pessoas amando e andando buliçosas pela cidade.

Bruno

Melhorar

Quando eu era criança olhava para a janela e via muitas pessoas sem abrigo e comida. Hoje também vejo ganância, roubo, confusão. Pessoas tentam melhorar o mundo, mas derrubam árvores, danificam o solo e o governo não faz nada. Para alguns, é preciso usar força para melhorar, outros tentam manifestar, só que não conseguem. Eu e milhões de pessoas queremos olhar pela janela e ver paz em nosso futuro.

Carlos

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Abro minha janela,
estou vendo uma praia.
Um pôr do sol reflete em meus olhos,
vejo pipas a voar
pessoas a nadar
surfistas a remar

Vai anoitecendo,
vejo pessoas acendendo fogueiras
como se fossem lareiras.

Pedro

Para que Explicar?

Vejo uma nuvem de borboletas, lindas como princesas.

Usavam coroas, com elas voam…

Meu deus! Lá vem a carruagem, estampada com paisagens.

Pássaros voam, lá vem o menino, sorrindo e se divertindo.

Por que explicar as imagens? “Explicar afasta as falas da imaginação.”

Lara

A Vista

O Cristo Redentor quando está aceso me dá um sinal,
quer dizer que está sendo um dia importante.
Os barulhos dos vizinhos da Vila me dão muita curiosidade.
O meu gato fica deitado na janela em frente ao Cristo e isso me dá muita alegria.
De manhã, ele fica observando as maritacas de olhos arregalados, e eu fico só olhando a vista com ele.

Paula

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Da minha janela
vejo o dia muito claro,
Também vejo o Sol,
um olho da Terra que traz energias positivas.
À noite, vejo o outro olho dela, a Lua,
clareando as inspirações
enquanto a Terra está dormindo.
Eu também admiro as estrelas ao seu redor.

Jair

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Na noite ‘desacolhida’,
ando para ela,
sábia varanda, varanda sábia.
E aquele aperto acaba,
trânsito, transitando.
Pessoas a seguir com o seu destino,
segurando suas bolsas,
com um foco.
Com mágoas ou não,
elas continuam, continuam elas…
Do outro lado, a natureza.
Forte e certeira,
com os seus cochichos à noite,
para não acordar ninguém.
Apenas seu fraco barulho,
para não acordar ninguém,
“vinham para mim os seus silêncios desprezados”.
Olhando o horizonte,
que muda em seus quatro tempos,
muda,
repete,
muda e repete,
até se acabar,
pelo amanhecer.

Miranda

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No breu da noite, raízes desesperadas escalam pelos azulejos feitos pela metade até o ponto mais alto do prédio ao lado. De lá, vinha um som melodioso que se dissipava pelo ar, ao contrário do meu prédio, onde os sons mais chamativos vinham de baixo. Gritos ao telefone e choros de bebê harmonizam-se com o som da flauta e um alto sertanejo. O trabalho da poesia é escrever o que não acontece.

Cecília

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Da minha janela, dá para ver uma montanha com uma comunidade e um menino. O menino aprendeu a cantar palavras com os passarinhos. Teve um dia em que da minha janela deu para ver o pátio do prédio vizinho com um menininho.

Joaquim