Passarinhando

Quando fui olhar minha janela, vi crianças brincando com passarinhos que estavam sobre pequenas árvores, cheias de pedras ao redor.
Eu fiquei pensando: do que será que eles estão brincando? Será que estão entendendo as crianças? Será que estão brincando de passarinhar? Será que estão passarinhando? Será que as crianças estão conseguindo se comunicar? Será que as palavras que as crianças falavam significavam algo para os pássaros?
Tudo isso que pensei fazia todo sentido pra mim. Os pássaros cantavam e as crianças se animavam mais. Eram uma menina e um menino e eles tinham aproximadamente quatro anos.
Eu conseguia ouvir mais ou menos, e conseguia refletir o que eles estavam falando e pensando.
Será que eles estavam passarinhando?

(Mariana)

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Olhar para a janela também é uma forma aprender.
E quando olho para a minha vejo a Praia do Flamengo cheia de lindas árvores que embelezam o chão com suas pétalas douradas.
E essas dormideiras gigantes no final da manhã servem de trepa-trepas para as crianças brincarem.
Nas praias, me vejo bebendo água de coco e fazendo castelos de areia.

(Júlio Mello Nogueira)

Flores Douradas

Olhando pela minha janela
vejo algo como uma rosa negra
banhada a carmim … como um GENOCÍDIO.
A morte de vários sentimentos
de várias motivações … enquanto os outros
olham e veem um campo de flores douradas
com apenas algumas flores
murchas …eu queria ser apenas FLORES DOURADAS.

 (João Guilherme)

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Quando olho pela janela, vejo arbustos plantados no cimento rachado e remendado. Também vejo outras casas da vila, e prédios no final. Vejo nuvens, o Sol, a Lua e as estrelas. De dia, vejo pássaros, verdes, amarelos, marrons, e às vezes até azuis, sem consciência, apenas cantando – mas para cantar é preciso não ter desejo de informar.

(Bernardo)

Eu Olho da Minha Janela…

Eu olho da minha janela, vejo uma bela árvore, árvore que está ocupando espaço em um terreno vizinho, árvore que está causando uma enorme confusão, pois nela há uma família de passarinhos. A confusão foi causada, pois se for derrubada uma família, ficará desabrigada, mas se não for, outra família também ficará desabrigada. Uma família de pássaros e uma família de humanos.
O tronco da árvore, de tão velho, está começando a apodrecer. As pessoas que protestam pela árvore devem lembrar de uns versos do Manoel de Barros, como “queria fazer parte da natureza como os pássaros fazem”. Só que no caso a natureza é representada pela árvore.
A árvore representa resistência, paz e harmonia.
A árvore é o que eu olho da minha janela.

(Rodrigo)

Janelas

Eu, na janela,
só eu e ela.
Eu sozinha,
em minha imaginação,
presa em meus pensamentos.
“Para meu gosto palavra não precisa significar – é só entoar.”
Na janela há,
bem naquela há,
em qualquer uma há,
uma poesia.
Pode haver um mar,
pode haver uma árvore,
pode haver alguém,
e pode haver outra janela.
“Invento para me conhecer.”
Eu vejo uma creche vazia,
sem alegria.
Eu escuto um barulho,
que não me deixa com orgulho.
Mas observo uma noite,
preta e branca.
Realmente não sei se as nuvens são pretas e o céu é branco,
ou se as nuvens são brancas e o céu é preto.
Só sei que nada sei.
A não ser que há nuvens,
uma creche vazia,
e um céu escuro.
“Tenho o privilégio de não saber quase tudo.
E isso explica
o resto.”

(Juliana)

Abro a Minha Janela e Vejo…

Vejo uma casa de saúde, bem na frente de meu prédio
Vejo também o Cristo Redentor, de braços abertos
no alto da montanha, de todas as janelas  eu o vejo.
Vejo o trânsito, o trânsito que a vida tem
Todos correm contra o tempo.
Por quê? Por que não deixar que o tempo te leve?
Mas, e se fosse diferente?
E se eu visse “pássaros dando canto às palavras”?
Se eu visse um país das maravilhas?
E uma rosa encantada?
Seria um conto de fadas…
Vou viver o mundo real,
e ver as imagens dessa rua
desse imenso mundo
em que hoje vivemos.

(Lavínia)

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Pousou um pássaro na minha janela,
fiquei imaginando como seria
se eu tivesse aquela liberdade.
Todas as manhãs
voando com todos os que amo.
Como o pássaro da minha janela,
“minha mãe tocava para nós Vivaldi
e a gente ficava pendurado em lágrimas
e o passarinho da janela
a mastigar um pedaço de vento.
Como poetas,
a maneira de dar canto às palavras, o menino aprendeu com os passarinhos.
Eu queria fazer parte das árvores como os pássaros fazem”.
Enquanto me imaginava na pele daquele animal,
ele voou
sem dizer adeus
sem nem olhar no meu rosto
e aí eu percebi
não era liberdade
era arrogância.

(Sofia Amaro)

Invento

“Ver o que não acontece é tarefa da poesia.”
Por isso invento minha janela.
Nela, vejo um oceano cristalino
transpirando harmonia.
Invento minha janela,
Invento o que vejo nela
para me conhecer, para me inspirar
E continuar a inventar.
Por isso “invento para me conhecer”.
Conhecer e entender,
entender o que acontece
dentro e fora do meu lar.

(Luna)

18:00

Eram seis horas da tarde.
Alguns viam minha vila da janela.
Alguns viam os prédios à frente.
Alguns viam as nuvens no céu.
Alguns viam a lua brilhando.
Mas eu não.
Eram seis horas da tarde.
Eu via minha vida da janela.
Eu via  as janelas acesas dos prédios à frente.
Eu via algodões gigantes voando.
Eu via uma bola branca do tamanho da unha do meu dedão,
“E atingiu meu olhar para toda a vida”,
Mas alguns não.

(Francisco Thiré)

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Da minha janela vejo duas grandes montanhas, com milhares de árvores e vários pássaros. Também queria estar ali, voando junto a eles. Muito bonitos, eles vão voando majestosamente ao vento.

(Pedro)

Zoom

São pessoas,
pessoas de dentro de salas,
salas dentro de prédios, o que vejo da minha janela.
Minha janela, que fica no meu prédio, que fica na minha rua.
Minha rua que fica no meu bairro, que fica na minha cidade, que fica no meu país, que fica no planeta Terra, que fica no sistema solar.
Sistema solar que fica no Universo.
Mas eu vejo o Universo da minha janela?
“Visão é o recurso da imaginação para dar palavras novas à liberdade.”

(Alice)

Minha Janela

Quando olho para aquilo sem olhar, vejo uma janela sem ninguém para amar, sem ninguém para fazê-la brilhar. Vejo uma floresta cheia de árvores só para enfeitar. Isso tudo quando olho sem olhar, sem pensar, sem sentir, sem amar.
Quando olho para aquilo com meus olhos de amar, com minha alma, logo fico calma, sem querer estar em nenhum outro lugar. Vejo a janela que olho todo dia há 10 anos, nos momentos bons ou ruins, ela sempre esteve lá, sem ir para nenhum outro lugar. Não sei exatamente dizer o que ela é para mim, não sei dizer o que ela significa. Mas tudo bem, “porque significar limita a imaginação”.

(Carolina Limoncic)

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Da minha janela sempre via a mesma coisa, vi a mesma paisagem por nove anos. Para mim, aquilo era meu conforto. Todo dia de manhã acordava e via a mesma coisa. No meio do nada fui tirada da minha zona de conforto para conhecer um mundo totalmente desconhecido, para mim, assustador.  Da minha janela, agora o verde, todo tipo de verde. “Eu queria fazer parte da natureza como os pássaros fazem”, o gorjeio dos pássaros se destaca naquela natureza. E no meio de todas as árvores encontrei, ali, o meu novo conforto.

(Valentina)

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Houve um tempo em que a minha janela se abria para uma construção que fedia a capital. O grande e moderno prédio em uma rua onde “o gorjeio dos pássaros tem um perfume de sol”, onde as árvores floresciam até nos dias mais escuros de outono. Era poça estruturada de concreto onde 23 homens trabalhavam 12 horas por dia para a felicidade (!?!?) de míseras famílias. Até no meu quarto, que era de fundos, não havia nenhum caminho de fugir daquele som ensurdecedor que só me dava vontade de “desver o mundo”.

(Nino)

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Pousava um pássaro na minha janela
enquanto eu observava uma mulher,
uma empregada doméstica,
arriscando a sua vida pendurada,
limpando azulejos da varanda do meu vizinho.
Apenas por um salário mínimo,
que não poderia pagar por sua vida.

Pousou um pássaro na minha janela,
sua pose era de triunfo pela liberdade
conquistada,
apenas cheirando ou apreciando
a única flor restante da minha janela.

Queria oferecê-la à mulher.

(Sofia Amaro)

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Na minha janela tem uma vista,
na minha vista tem uma Lagoa,
na minha Lagoa tem peixes.
Agora, será que eu gostaria de ver uma Lagoa ?
Eu, da minha janela, gostaria de ver um
mundo com paz, sem guerras, com amor.
“Eu gosto de ver o absurdo divino das imagens.”

(Julia Motta)

Imensidão

Da minha janela vejo um homem perdido na imensa solidão da rua vazia,
com a serenidade no olhar de quem tem tudo, mesmo sem ter quase nada.
Vejo a vida passar diante de meu olhar, porém, como vejo de cima, não sinto o peso de ver por baixo.
Da minha janela não vejo tudo que veria se tivesse outros olhos para ver.
É impossivel sentir a dor ou alegria de outro ser.
Tão impossível como molhar o mar.

(Elena)

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Quando olho pela minha janela gostaria de ver uma praia de água doce, sempre limpa e tranquila, mas infelizmente vejo apenas uma parede.
“Escrever o que não existe é trabalho da poesia.”

(Angelo)

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Da minha janela vejo o que passou por aqui,
uma vida inteira de diversas pessoas, é de encantar.
Uma janela igual às outras?
Não, essa carrega a história de uma menina que só se importava em procurar.
Procurando, começou a pensar em sua vida,
seu olhar profundo como um oceano,
dessa vez seu olhar não tinha fim.

(Cecília)

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“Eu bem sabia que a nossa visão é um ato poético do olhar.” O que tu vês em tua janela ? Nossos olhos são a janela da alma que nos fazem ver o que queremos e muitas vezes o que não queremos. Da minha janela vejo pessoas, sempre correndo, correndo contra o tempo, para ter sempre mais, se olham mas não se falam, se esbarram na rua e se maltratam… Da minha janela queria ver o amor e a gentileza entre os animais mais temidos da terra, os seres humanos.

(Julia David)

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Da minha janela vejo almas,
almas perdidas,
algumas solitárias, mal amadas
com tristeza no olhar,
outras felizes, amadas.

Da minha janela vejo
o que ninguém vê,
sinto o que ninguém sente,
sinto que posso voar
como um passarinho.
Mas “o lugar mais bonito de passarinho ficar é a palavra”,
por isso escrevo minha janela,
e de tanto abrir a janela dos olhos,
já conheci o mundo todo,
só de passarinho.

(Sofia Gonçalves)

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Logo ao olhar
Vejo uma massa esbranquiçada
igual ao luar, só que sem estar lá, o mar.
Ao olhar para baixo vejo árvores de uma floresta
que acabaram se perdendo e vindo pra cá
E essas duas belas paisagens escondem o grande terror da cidade.

(Francisco Moraes)

Minha Janela

Da minha janela vejo amor,
Vejo amor nos olhos daqueles que passam,
afogados nas profundas águas do coração de seus amados.
Porém, vejo também a tristeza,
naqueles que estão perdidos
No vazio da infinita solidão.
Da minha janela posso ver
“o absurdo divino das imagens”.
Posso ver tudo.
Ou quase.

(Letícia)

A Janela

Da minha janela eu não vejo muita coisa… vejo apenas um telhado e metade do meu play… mas também vejo o céu, vejo árvores, vejo miquinhos, vejo o sol e vejo tudo o que eu quero ver.
Posso querer ver uma borboleta e ela aparecer, posso querer ver a chuva e chover, posso querer voar mas sem sair do meu quarto, e nem mesmo da minha janela.
“Escrever o que acontece do lado de fora da minha janela não é tarefa minha, é da poesia.”

(Nina)

A Chuva Sobre a Cidade

Eu gosto muito da chuva. Às vezes me dá vontade que uma chuva bem forte desabe sobre a cidade e todos a aproveitem como quiserem: cantando, comendo, vendo filmes etc. Não haveria mortes ou desabamentos de morros. Apenas a alegria de ser alegre. O NÃO mais feio seria o mais belo SIM.
Haveria animais como as “rãs, donas das pedras”, pássaros, donos das árvores, peixes donos das águas. Haveria o hoje que é dono do amanhã e o ontem que é dono de hoje. Haveria o tudo… Tudo isso enquanto a chuva goteja lá fora…

(Iuri)

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Da minha janela, não vejo o Cristo ou nada parecido, não vejo coisas bonitas normalmente. Mas quando olho de um jeito mais profundo, posso ver coisas belas, como o pôr do sol atrás de montanhas no fim da tarde, ou como a Lua e as estrelas iluminando o céu escuro da noite. Ou seja, se eu olhar com outros olhos para minha janela, posso, sim, ver coisas belas.

(Guilherme Intrator)

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Pela minha janela, eu sempre olhei, via prédios com crianças pulando de alegria com seus familiares. Eu observava e via como os pássaros cantavam como o sol batendo em suas asas e os esquentando com conforto. Como não pôde ser poesia, em não via.
Em um lindo dia ensolarado “eu vi a manhã pousada em cima de uma pedra”, o frio que sentia foi embora com todos os pensamentos que tinha. Agora não vejo mais o que via durante toda a minha vida e sim com os olhos da poesia.

(Luiza Cotrim)