Apresentação

Os textos são o resultado de nossa primeira conversa em torno de um dos conteúdos formais deste ano de escolaridade: verbos. É isso mesmo! Começamos brincando, já de olho na poesia, porque os poemas serão nosso material de estudo e fruição no último trimestre.
Nossas inspirações? Agualusa, com seu jeito poético, especialmente em “A vida no Céu” e em algumas crônicas de jornal e Manoel de Barros:

“No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos –
O verbo tem que pegar delírio.

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Os dois primeiros textos foram inspirados, especialmente, na crônica A Árvore Mais Velha do Mundo, de Agualusa.

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Uma luz negra brilha, mas não repara.
O que te faz o que tu és?
Um homem por inteiro.
Um ‘desvazio’ de criatividade,
repleto pelos livros de tua cidade.

Seu mundo foi tomado.
Não há folia, boemia, nem burguesia,
apenas poesia.
É isso que te alimenta.
É isso que se alimenta de ti.
Histórias são sua esmola.
Seu escritório é a rua.
Sua riqueza são seus livros
E a poesia sua vida.

Antonio Bento e Antonio Nery – F7T

Desquerência

Querer poder
querer ter
poder querer
ter querer
não precisar querer… é o que eu quero
Querer poder é solidão, poder ler é poesia
quero não precisar me importar
quero não precisar me isolar
quero não precisar me calar
mas me calo para poder observar
deito e observo as pessoas a passar, tão tristes.
Sem poesia, um grande mal estar.
Me considero até com sorte
por essa desquerência
que toma conta de mim,
me livrando da sofrência.
Querer ler é minha vontade,
Ter já não é mais.
Não quero colecionar, mas quero saber
vivo em harmonia com os livros e a sabedoria,
mesmo não tendo nada para mim, isso é tudo:
OS LIVROS E A POESIA

Flora, Julia e Olivia – F7T

Loucura

Cura
minha loucura
cura não tem
Correndo na insanidade
delirando nas minhas viagens
Cura
LoucuReando sobre tantos delírios
Curando minha loucura
sinto-me num caminho perdido,
LoucureRRando

Antonio Janequine – F7M

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Talvez seja loucura, talvez isso não exista realmente,
talvez seja só um pesadelo,
pesadelo pesadelirando na minha cabeça.
A guerra não podia nunca ter sido pior,
como é desumano, algo tão horrível assim.
Casas antes eram tão bonitas, cheiravam a amor,
no entanto, com a guerra, só cheiram a terror.

Carolina – F7T

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A porta da sala estremecia de medo
ao ouvir os pés dos meninos voando
quando o sino gritava que era
hora da aula terminar.

Amodini, Gabriel Obon, Maia e João Baeta – F7M

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As rodas corriam tanto que já estavam cansadas,
a corrente quase arrebentava,
a cesta exausta de carregar as compras.
E, nesse ritmo, a mulher dava voltas.
A bicicleta andava, andava, andava
a sua cabeça voava, como pássaros, à procura de ideias.
As ideias pulavam, ela toda se iluminava e, assim,
continuava a pedalar, em um movimento contínuo
Exatamente onde ela queria estar.

Olivia – F7T

Desenhos

As cores dançavam no papel,
brincava o lápis de Carolina.
Cada ponto,
cada traço,
cada linha
se encantavam nos desenhos da menina.

Bruna – F7M

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Na hora de acordar, o relógio me cutucava sem parar.
Naquele dia não queria acordar, pois teria uma prova para as respostas me roubar.
Tinha o café da manhã para me esquentar. O pão na torradeira até o sininho tocar e eu tirá-lo já queimado.
Depois de tudo isso, as roupas iriam pular em mim até, enfim, voltar a dormir e repetir tudo de novo.

Flora – F7T

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Onde eu vivia há um rio
e nesse rio muitas aves sorrindo,
as flores perfumando, as árvores abraçando.
Com isso tudo, consigo ouvir as cores
e os sentimentos da vida.

Alexandre Oroz – F7M

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Por alguns anos na floresta uma velha pegou modo
elefante.
E um olhar de cobra.
Ela enxergava as coisas assim.
Como os elefantes dançam,
a velha começou a bailar.
Em algum momento o elefante começou a voar, voar
Subir, subir, ir por aí até cair de novo.
E ela voou também.

Luciano – F7M

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A solidão me guia no meio do clarão da escuridão.
De tanto tentar, consigo ver tudo que está na minha mente à minha frente
de um jeito que não consigo descrever.
Vejo um cardume de passarinhos sendo devorado pelo nadar do meu pensamento,
que fica mais transparente a cada mergulho do luar que fica mais alto,
a cada tentativa de planar, como um avião tentando enxergar.

Clara – F7T

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E o menino planava pelo gramado
leve como o ar
respirando o calor da torcida
que quase morria ao gritar.
Carregava a esfera preta e branca
que feliz sorria ao ser chutada
e o mundo girava
e a bola girava
e com calma ela beija o poste
antes da rede acariciar.

João Galetti – F7M

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Jorge aprecia as notas musicais
Jeferson chora perfeição
Jonathan respira poemas
Júlia mergulha nas páginas.

Tiago, Francisco e Lourenço – F7M

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O seu sorriso é o pulsar do meu sangue,
seu cabelo é o que corre pela minha pele
distribuindo minha energia
que é motivada pelo brilhar de teu corpo.
Seus olhos são o que me guiam
pela escuridão da minha solidão
Meu amor por você
é o que nada naquele mar profundo
esperando o momento certo para ressurgir
e te beijar sem pensar no resto do mundo.

Tomás – F7M

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Estou vendo seu medo à distância,
desde sua infância
e agora eu vejo que você quer vingança.
Não entendo a sua sede para vingar-se dele,
mas quando perceber que está mudado,
vai apaixonar-se por ele.

Nicolas e João Nucci – F7M

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Na rua, em um beco sem saída, sombrio,
havia uma moça com uma bolsa.
Chegou um ladrão, com sua arma agitada,
a arma procurava a bolsa e a bolsa não queria ser encontrada pela arma.
A arma matou a mulher, a dona da bolsa.
Ficou feliz e, então, se acalmou.

Matheus, Rafael e Murilo – F7T

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Na rua 7 existia uma criança que morava na lua,
que escrevia com o olho no papel.
Ai, essa criança é demais,
vive dentro do livro até não aguentar mais.
Dentro do meu coração essa criança me dá esperança.

Alexandre Valois – F7M

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As folhas dançam no vento,
a sombra gira na parede,
o espelho troca o lado.

Breno – F7M

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O amor à primeira vista é como uma cobra.
De uma hora para outra, quando você menos espera, ela te dá o bote.
O veneno se espalha. Você deseja a pessoa.
Seu coração grita pela pessoa, ele fica ansioso.
Aquele sentimento te devora.
Você fica cego mas ainda vê.
A pessoa, por mais preto e branca que seja, você a enxerga como um arco-íris.

Luiza – F7T

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O livro morria de ansiedade para ser lido
Dava pra ver!
Eu entrava na biblioteca e ele parecia olhar para mim, perguntando:
“Será que ele vai me escolher?”
Que mensagem será que ele queria tanto me contar?

Antonio Nery – F7T

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Em um mundo onde meninas eram rosas e meninos azuis,
existia um menino, ele era quase como uma luz.
No meio de tanta escuridão, ele queria ouvir as cores se misturarem,
e acabar com aquela confusão.
Um dia ele saiu de vestido, as pessoas o agrediram, xingaram.
E ele só queria traçar o mundo mais colorido…
Não desistiu, lutou até o fim, persistiu.
Então, uma paleta de cores novas se abriu
e todo aquele preconceito simplesmente adormeceu
e por um bom tempo, desapareceu.

Alice Flexor – F7T