dezembro – 2013

A Proposta

Com o Projeto Institucional “Transformações”, as F5 escolheram estudar o Rio de Janeiro, uma cidade que está passando e sempre passou por muitas transformações. E para estudar a história do Rio, era obrigatório trazer Machado de Assis, nosso escritor fundamental. Então, encontramos um livro perfeito para apresentá-lo às crianças: “Joaquim e Maria e a estátua de Machado de Assis”, de Luciana Sandroni. Nesse livro, ela deu vida à estátua que deixou seu pedestal na ABL e saiu para conhecer o Rio, com Joaquim e Maria. Quem não gostaria de ter uma experiência como essa? Foi mais ou menos isso que propusemos às crianças. Pedimos que pesquisassem as estátuas da cidade e convidassem uma delas para um passeio.

As Dianas

Diana Miklos Pamphili

Diana era uma menina de onze anos. Ela era alegre, divertida e curiosa.
Um belo dia estava no zoológico vendo as cobras(seus animais preferidos) e depois de muito ver e observar ela chegou perto daquela estátua de Diana, a deusa romana, que lá havia. De repente as pessoas começaram a ir embora do zoológico, parecia magia. Diana se deu conta de que sua mãe também tinha ido embora. Ela gritou e chorou, mas um grito de horror cortou o zoológico. Diana olhou para a estátua e viu que não estava mais lá. Foi seguindo o grito e se deparou com a estátua que estava com uma expressão de raiva e horror no rosto. Ela começou a gritar coisas para a menina, que nada entendia.
– Pára!!! – berrou a menina.
A estátua parou, encarou Diana e viu que ela estava tremendo. Diana chegou perto da estátua e perguntou:
– Primeiro, por que você está com raiva?
– Por quê? Você pergunta por quê? Ora, eu te digo: passo 24 horas por dia olhando meus queridos animais enjaulados! Como as pessoas podem fazer isso?!
Diana não respondeu e foi logo para a segunda pergunta:
– Por que você fala?
A estátua olhou para ela com desdém e respondeu:
– Acha que só vocês humanos podem passear e falar? Quanto egoísmo…
Diana respondeu uma coisa muito inteligente, como:
– Hã…hã…hã..é…
– Será que você pode me dizer exatamente em que cidade e país estou?
Diana teve uma ideia. Lembrou que na escola dela a sua turma estava lendo um livro em que acontecia a mesma coisa: uma estátua ganhava vida. Ela pensou em mostrar o Rio de Janeiro para a estátua. Diana perguntou:
– Que tal visitarmos o Cristo?
A estátua respondeu fazendo uma pergunta:
– Ô quem?
– Ah, vem comigo. – disse Diana.
Enquanto pegavam um táxi, a estátua perguntou:
– Então, qual é o seu nome?
– Diana, como o seu.
A estátua gostou e falou:
– Igual ao meu! Sabe, estou aliviada em dar uma volta. Minha origem é grega, não sei nada daqui, só conheço o zoológico. Elas chegaram no lugar e pegaram o bondinho para o Cristo.
A menina anunciou:
– Esteja preparada, você vai conhecer outra estátua!
A estátua respondeu:
– Legal!
A estátua conheceu o Cristo e também a estátua de Machado de Assis. Elas foram passear na Lagoa e lá brincaram muito. Todos ficaram achando que a estátua era aquela coisa de “estátua humana”. Também foram ao Jardim Botânico e à praia de Botafogo. Depois desses passeios Diana perguntou sobre o lugar que ela mais tinha gostado.
– A Lagoa. – respondeu a estátua.
Quando voltaram ao zoológico, as Dianas apostaram corrida até o pedestal onde ficava a estátua. A estátua correu feito uma gazela, e claro, ganhou. Elas se despediram e Diana voltou a ficar imóvel em seu lugar.
A menina voltou para casa feliz por ter conseguido uma nova amiga.

Cristo e Eu

Rafaela Marques Canario Moreira

Numa sexta-feira pela manhã, minha escola estava fazendo um passeio no Corcovado. Quando nós chegamos, fiquei observando o Cristo Redentor. Então eu tive a impressão de que ele mexeu o braço. Fiquei tão hipnotizada com isso, que me perdi do meu grupo. Olhei para trás e minha turma tinha sumido. Fiquei somente eu e o Cristo.
– Foi tudo culpa sua! – disse apontando para a estátua.
Não acreditei que estava falando com uma estátua. Mas…
– Foi culpa sua se me separei da minha turma! – disse choramingando.
– Eu não fiz nada, você que ficou me olhando! – disse a estátua.
– Mas foi sua… Pera aí! Você falou!
– Sim, eu falei. E ainda falo mais, estou cansado de ficar com os braços abertos!
– Nossa…Eu te entendo…
– Você deve estar impressionada falando com uma estátua, né?
– Sim.
– Espera, vou ficar do seu tamanho.
O Cristo saiu de lá pegando uma bolsa que tinha um pó. Jogou o pó em cima dele, ficando do meu tamanho.
– Mas o que foi isso?! Como esse pó te deixou do meu tamanho?
– Esse pó é mágico.
– Magia? Magia não existe!
– Você está falando com uma estátua, magia é a primeira coisa que tem de pensar!
– Cristo, o papo está bom, mas tenho que voltar para minha escola.
– Eu posso ir com você? Sempre quis conhecer a cidade, queria ir ao Pão-de- açúcar, ao Centro, e até ir à praia de Copacabana!
– Está louco? Todo mundo vai ficar olhando para mim achando que roubei uma estátua!
– Por favor!
– Ok, ok, mas depois vamos para minha escola.
Então descemos do Corcovado e fomos ao Pão-de-açúcar.
– Vamos subir o morro. Vem cá, Cristo! – eu gritei.
Subimos de bondinho e descemos também.
– UAU!!! Eu gostei! – disse o Cristo. Agora vamos ao Centro!
– Ok, vamos!
Eu o levei para o Centro, mas bateu uma fome… Então fomos à Confeitaria Colombo. Quando chegamos, o Cristo comeu muito. Nunca tinha comido na vida!
Então saímos da Confeitaria e voltamos ao Corcovado.
– É aqui que nós nos despedimos.
– Tchau! Foi bom ficar com você!
Eu fui até a Sá Pereira, mas…TUM TUM – o relógio tocou.
– Oi, filha! Hoje você tem passeio! – disse minha mãe.
– Mas eu já fui!
– Não foi! Você estava dormindo.
– Então foi tudo um sonho?!
– Sim, não sei o que você sonhou, mas…acho que sim!
Então, na sexta-feira pela manhã, eu e minha escola fomos ao Corcovado e…

Vivendo a Vida com Drummond

Victória Tavares Carvalhal

Eu estava andando no calçadão de Copacabana, no posto 6 com meu caderninho de desenhos e minha bolsa de materiais. Eu tinha ido para a praia para me inspirar para desenhar um cenário que era uma praia. Então, avistei a estátua de Carlos Drummond de Andrade. Corri até ela e disse quase rindo:
– Posso me sentar, meu querido?
Eu me sentei e virei para o mar. Era uma linda tarde e o mar estava esplêndido. O reflexo do céu na água estava incrível. Peguei meu caderno e comecei a desenhar. Daí então…
– O que você está fazendo?
– Um desenho!
Olhei para o lado e Drummond estava olhando para mim, sorrindo. Fiquei toda branca de medo.
-É você? – disse com a voz trêmula.
– Ué! Não está vendo? Sou eu, a estátua de Drummond.
– Você fala?! – continuei falando com a voz trêmula.
– De vez em quando. Depende de quem senta aqui ao meu lado. – disse a estátua bem feliz.
– Bem, por que está falando comigo, então? – perguntei perdendo o medo.
– É que não converso com ninguém há tanto tempo, que quis falar com você. Sabe, desde minha inauguração em 2002, eu não falo com quase ninguém.
– Que pena…
– Mas eu também quis falar com você porque é uma coincidência você sentar aqui para se inspirar. Eu, quer dizer, o Drummond também fazia isso.
– É, mas a inspiração tá pouca, não consigo nem desenhar uma paisagem porque eu ainda não aprendi perspectiva e é bem difícil.
– Humm… isso me lembra uma poesia de Drummond:
“No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
– “No meio do caminho” é o que pode se chamar de poema escândalo. Publicado a primeira vez na modernista Revista de Antropofagia, em 1928.
– Mudando de assunto….afinal o Drummond, de onde você é?
– Bem, eu te respondo se me levar para o bondinho do morro da Urca.
Levei a estátua para a Urca. Enquanto subíamos de bondinho, todo mundo ficava olhando, achando estranho a estátua estar ali. Ouvi muitos cochichos, mas não liguei.
– Drummond, vai me dizer agora de onde você é?
– Sou de Minas Gerais, de uma cidade chamada Itabira. Eu me formei em farmácia. Com alguns companheiros fundei “A revista” para divulgar o Modernismo no Brasil.
– Você teve filhos?
– Tive dois: Carlos Flavio, que viveu por meia hora e inspirou a poesia “O que viveu meia hora”, e Maria Julieta, que foi a responsável pela morte de Drummond.
– Por quê?
– Porque quando ela morreu, ele ficou muito triste, então, depois de 12 dias morreu. Isso aconteceu em 1987, aqui no Rio de Janeiro.
– Que triste!
– Bom, a visita foi muito boa, mas temos que ir, está meio tarde.
Então, voltamos ao posto 6 de Copacabana. Eu me despedi de Drummond e fui para casa.

A Estátua de Carlos Drummond de Andrade

Mateus de Oliveira Gomes

Num dia bem ensolarado, eu estava passeando perto da praia de Copacabana, até que passei pela estátua de Carlos Drummond de Andrade.
Ele estava ali, parado, sentado em seu banquinho. Parecia estar observando alguma coisa. Tão fascinado estava com a estátua, que acabei deixando meu celular cair. Por alguns segundos me desvencilhei da estátua para pegar meu celular. Ao baixar para pegá-lo ouvi uma voz dizer:
– Psiu, ei você!
Olhei para os dois lados e ninguém estava passando por ali, só quem estava ali era a estátua olhando para mim. Sentei ao lado da estátua e falei pra ela:
– Foi você que me chamou?
E ele me respondeu:
– Sim.
Levei um susto:
– Uma estátua falante !?!
Antes de eu falar qualquer outra coisa, ele foi logo se apresentando.
– Olá, meu nome é Carlos Drummond de Andrade. Nasci em 31 de outubro de 1902, em Itabira, Minas Gerais. Sou, ou melhor, era poeta, cronista e contista. Estudei na escola Arnaldo e no colégio Anchieta. Qual é seu nome?
– Meu nome é Mateus, tenho dez anos.
Batemos um papinho e a estátua falou:
– Onde posso ler alguns livros?
– Ali na Saraiva.
Então fomos até a Saraiva. Lá, a estátua ficou surpresa, pois a maioria dos livros era de autores estrangeiros, como Rick Riordan e Deff Kinney. Se pudesse chorar, a estátua choraria.
Perguntei:
– O que houve?
– Você não vê tantos clássicos da literatura brasileira e os jovens só leem “Diário de um banana”, entre outros. Por que não leem “Dom Casmurro” ou “Memórias Póstumas de Brás Cubas”?
– Ah! Já sei onde você pode encontrar livros melhores!
– Onde? – perguntou a estátua.
– Na Academia Brasileira de Letras.
Então nós fomos até a Academia. Chegando lá avistamos a estátua de Machado de Assis. Passamos por ela e o Machado disse:
– Posso ir com vocês?
E respondi:
– Claro!
Lá estava eu na porta da Academia com duas estátuas. Lá dentro as duas tomaram chá e leram vários livros. E eu também.
Depois de muita leitura as estátuas voltaram para seus lugares e eu conheci mais contos da literatura brasileira.

Um Passeio com o Cristo Redentor

Bruna de Araújo Braga

Um dia estava na sala vendo tevê, quando, de repente, ouvi uma voz me chamando:
– Bruna! Bruna!
Achei muito estranho, pois a voz vinha de longe, mas muito grossa e firme.
– Olhe para cima, estou aqui bem no alto do morro! Venha me buscar!
Quando olhei pela janela não acreditei no que vi, o Cristo redentor em estátua falando comigo. Só podia ser um sonho.
Fui até ele, lhe dei a mão e saímos para passear:
– Seu Cristo Redentor, você já não conhece a cidade toda?
– Sim, minha querida, mas vejo tudo de longe, quero ver de perto. Você pode me levar?
– Sim, é claro! Vamos então ao Maracanã!
Chegando lá, ele me disse que torcia para o grande Flu. Fiquei muito alegre, pois é o meu time de coração.
Em seguida fomos à Pedra da Gávea e até mergulhamos na água deliciosa do mar. Ele ficou encantado com a quantidade de peixes que havia lá.
Logo depois fomos ao Jardim Botânico, onde vimos vários macacos, muitas araras, passarinhos de todas as espécies e borboletas de várias cores.
Por incrível que pareça, de tudo isso, o que ele mais gostou foi do sorvete de coco que tomamos, pois foi a primeira vez que tomou um sorvete.
Quando já estava anoitecendo, tivemos que voltar para casa. No caminho perguntei para ele:
– Cristo, você não se cansa de ficar com os braços abertos?
– Não, já estou acostumado, pois tenho que proteger a cidade.
Então chegamos, dei tchau para ele e cada um voltou para o seu lugar. Foi quando minha mãe gritou:
– Filha, tá na hora de acordar para ir para a escola!
Acordei e vi que isso tudo foi um belo sonho.

Pedro e a Estátua de Tiradentes

Pedro Campello do Rêgo Valença

Numa bela noite eu estava no centro da cidade com meu pai, quando olhei para a estátua de Tiradentes e a vi piscando, mas pensei “ela não pode ter piscado, deve ter sido ilusão, pois está escuro”.
No dia seguinte, passei lá e fiquei olhando até que ela mexeu. Então eu disse:
– Ei, você!
Então, ela se mexeu novamente. Olhando para mim, saiu de cima do pedestal e falou:
– Sim, menino. Por que você me chamou?
– É verdade! Você está vi-vi-vivo!!!
– Sim, estou vivo. Algum problema?
– Não. É que nunca vi uma estátua viva de verdade, a não ser aqueles caras que se pintam inteiros e se fingem de estátuas para ganhar algum dinheiro nas ruas.
– Então agora viu!
– Tem razão. Vou te mostrar meu bairro.
Quando nós entramos no ônibus todos começaram a estranhar a estátua. No meu bairro, em Santa Teresa, eu lhe mostrei minha casa, almoçamos no aprazível “Sabor”. Na hora do lanche nós fomos para o “Cultivar” comer pão de queijo. Mostrei-lhe várias lojas e restaurantes. Fomos também para o Corcovado ver o Cristo. Ele adorou a vista de lá e me perguntou:
– Que fio é aquele entre os dois morros?
– Ah, é o fio do Pão-de-açúcar, vamos lá!
Quando chegamos no morro da Urca, subimos pela trilha até a estação do bonde, onde compramos as passagens e descemos pelo bondinho, tiramos várias fotos. Mas, infelizmente, ele teve que voltar para seu pedestal. Falei para ele que todo dia iria vê-lo e mostrar-lhe mais coisas da nossa cidade!

Encontrando o Dono do Cassino

Bento Sette Guarabyra

Em um belo dia ensolarado, eu, Bento, decidi ir ver a estátua do Chacrinha, na Lagoa. Quando cheguei lá, a estátua olhou para mim, mas eu achei que era ilusão de ótica. Então, fiquei lá tendo supostas ilusões de ótica, até que… ele olhou para mim e disse:
– Oi.
– Nessa hora eu não acreditei. Eu só olhava para ele, até que ele falou:
– Sabia que quem não se comunica, se estrumbica?
Eu consegui abrir a boca e dizer:
– Sim, eu sabia.
Só depois foi que eu lembrei que estava falando com um morto. E aí esse pensamento me levou a uma outra pergunta:
– Pera aí, você já foi enterrado, não?
– Sim.
– Uau! Então você está agora em dois lugares diferentes ao mesmo tempo?
– É né, acho que sim…
– Chacrinha?!?
– Sou eu.
– Uau?!?
– Se você quiser pode me chamar também de José.
– Mas por que eu te chamaria de José?
– Porque meu nome é José Abelardo Barbosa de Medeiros.
– Ah, tá…
– E o seu nome, qual é?
– Meu nome é Bento Sette Guarabyra, mas pode me chamar de Bento.
– Ok, Bento. Vamos passear?
– Vamos… mas pra onde?
– Eu quero ir para a primeira casa em que vivi.
– Ok, e onde é?
– É em Surubim.
– O quê?! Lá tem cupim?
– Não, é em Surubim, uma cidadezinha lá em Pernambuco.
– Eu sei de um lugar melhor! Vamos à Rede Globo, onde você trabalhou.
– Rede Globo…minha antiga gravadora…. Vamos para meu antigo Cassino?
– Não dá, ele já foi destruído, demolido.
– O quê!?!
– Me siga.
Durante o passeio, Chacrinha me contou algumas coisas como os bordões e frases que ele usava, como “Vai um abacaxi aí?”; “Abelardo Barbosa, está com tudo e não está prosa…”; “Na televisão nada se cria, tudo se copia”; “ Teresinha…”; “Vocês querem bacalhau?”; “Eu vim pra confundir, não para explicar”; “Quem não se comunica se estrumbica” e “Alô tensão”. Ele também me disse que quando ele morreu, aos 70 anos de idade, no dia dois de junho de 1988, 30 mil pessoas se reuniram para se despedir dele.
– Ô Bento?
– O quê?
– Acho que vou voltar lá para a Lagoa…
– Não, Chacrinha, por favor, não volte. Eu sei de um lugar muuuuuito bom para se ouvir samba!
– Onde?
– No sambódromo.
– O quê? Esse lugar ainda existe?
– Sim, claro que sim!
– Bom, agora tenho que ir!.
– Ok, tchau!
– Tchau, Bento. Vai pela sombra!
– Valeu.

Um Amigo Exótico

Gabriel Dickstein

Eu estava lá no Corcovado olhando o Cristo, quando de repente ouvi uma voz dizendo:
– Ei, garoto!
Achei estranho. Olhei para o Cristo e ele estava normal. Um tempo depois ouvi de novo. Olhei para o Cristo e ele não estava mais lá. Olhei para trás e vi que ele tinha virado uma miniatura. Ele disse:
– Ei, garoto, vamos dar um passeio?
Eu tomei um susto mas fui me acostumando com a ideia. Pensei em mostrar para ele o Rio. Ele achou que era uma boa ideia.
Então fomos primeiro para o Jardim Botânico. Ele adorou, pois a visão de perto era tão bonita quanto a vista lá de cima. Ficamos por lá um tempo e depois saímos. Depois fomos ao Pão-de-açúcar. A gente subiu a pé no morro da Urca e desceu de bondinho.
Fomos também à Lagoa Rodrigo de Freitas. Lá, nós nos cansamos muito.
– Que tal nós irmos à confeitaria Colombo?
E ele respondeu:
– Não sei o que é isso, mas parece ser bom. Vamos lá!
Quando nós chegamos, eu pedi uma torta e um guaraná e ele pediu um brigadeiro e uma coca-cola. Terminamos de comer e ele disse:
– Foi ótimo nosso passeio, mas preciso voltar para o Corcovado.
– Mas como você vai voltar para lá?
– É simples.
E num piscar de olhos ele já estava lá, grande e firme como sempre.