novembro – 2013

A Proposta

Imagina só!
De repente… um personagem especial sai do livro que você está lendo e encontra com você… na sua casa, na sua escola, com seus amigos…
Imagine um dia da sua rotina vivido junto com esse novo amigo(a). Será que ele vai estranhar? Ou vai logo se sentir em casa?

Tintim e Eu

Antonio Treitsman

Eu estava lendo um livro em casa, até que uma pessoa me cutucou.Tomei um susto quando olhei para trás, vi um homem louro com um cão branco que começou a latir. Quando os vi, perguntei :
– Quem é você ?
– Não me reconhece ?- Perguntou ele.
– Não.
– Olhe para o livro!
– Peraí, você é…
– Tintin!!
– É isso!! Tintin!! É isso! Mas como é que vocês vieram parar aqui ?
– Depois eu te conto. Mas a primeira coisa que eu quero saber é que coisas são essas ? -Ele disse, apontando para o PS3 e para a TV.
– São eletrônicos . Nunca ouviu falar ?
– Não. Que tal darmos uma volta ?
– Tudo bem, mas eu tenho um gato e você tem um cachorro, como iremos sair daqui sem o Milu latir ou chamar atenção ?
– Isso é fácil, escondo ele dentro de minha camisa e passamos sem fazer nenhum barulho.
Esperamos meus pais irem para a cozinha pra sairmos discretamente. Quando estávamos do lado de fora, perguntei:
– O que vamos fazer?
– Não sei.
– Está na hora da escola!! Me esqueci! Temos que ir!
– Nossa, não tinha tanto carro assim nas ruas!
– Pois é, mas nós estamos em 2013
– Perai! 2013 ?! Eu fui criado em 1929!!! Há mais de 80 anos !!
– Eu sei.
– Mas, o que era aquela caixa por onde nós descemos ?
– Aquilo se chama elevador. Ele é uma segunda opção para ir de um andar para o outro.
– Como tem gente e barulho!
– Chegamos!
Tintin botou o Milu em sua mochila, e esperamos até o portão da entrada estar cheio para nos infiltrarmos e entrarmos. Ele achou estranho que tinha garotas na escola, pois antigamente havia escolas só de meninos ou só de meninas. Ele também achou diferente não precisarmos cantar um hino antes de entrar na sala de aula, não ter que entrar na classe em fila e os professores pegarem leve e não usarem palmatória. Então, ele falou :
– Como sua professora pega leve e como seus amigos são legais.
Na hora do recreio ele até reconheceu algumas brincadeiras como futebol, mas achou estranho todas aquelas crianças com celulares, itouchs e outros objetos estranhos.
Voltei para minha casa com Tintin, mas de manhã ele não estava mais lá. Então, olhei no livro e vi que ele tinha voltado.

Uma Menina Estranha

Maia Flores

Minha mãe me chamou para tomar banho e me preparar para ir à escola. Eu fui tomar banho e deixei meu livro aberto. E de repente, eu ouvi um barulho estranho .
E plus!!! Uma menina toda vestida de casaco de pele e gorro apareceu . Peguei minha toalha e me enrolei .
– Por que você está aqui ? Gritei .
– Ba nosé nocro conigo !
– O quê ? Ah ! É você, Natache? Não estou acreditando !!!
– Filha, você ficou maluca ?Você está falando com quem?
– Não, mamãe , não estou falando com ninguém !
– Agora você volta para o livro!!! – disse para Natache
Ela fez um movimento da cabeça para falar não, saltou na privada e acenando, puxou a descarga .
– Naaaão!!! – Exclamei.
– O que foi, Maia,? – perguntou mamãe .
– Nada, mamãe, é que eu deixei cair minha calcinha !!!
Uma hora depois … Eu cheguei na escola e contei para minhas amigas . Elas não acreditaram. Fui ao banheiro e …
Tam Tam Tam … Uma cabeça sai da privada.
Era Natache .
– Ah ! Você de novo !!! Ah! Precisa de um uniforme. Eu tenho um outro na bolsa .
Natache se vestiu e fomos para classe.
– Maia , quem é ela ? – Perguntou Carla.
– É… É … É minha prima !!! Ela não fala português, ela é russa, ela se chama Natache !!!
No final da aula quando todos saíram, eu falei:
– Natache, gostei muito de passar o dia com você, mas minha mãe está me esperando. Agora você pode voltar para o livro, por favor ? Eu acenei, fechei o livro e coloquei embaixo do braço bem apertado, para ela não sair de novo.

Uma Aventura Moody

Ainoa Vaz de Melo

Eu estava lendo um livro da Judy Moody quando de repente… Minha mãe me chamou para ir à escola! Eu larguei o livro aberto e fui embora. Foi aí que uma coisa estranha aconteceu. A própria Judy Moody saiu do livro como num passe de mágica! A menina me viu e correu atrás de mim.
Ela tem mais ou menos a minha idade.
Quando nos encontramos eu falei espantada:
-Voce é a Judy Moody? .
-Sim! E voce, quem é?
-Sou sua fã!
-E quem sou eu?
-Uma personagem de um livro.Você saiu dele e agora está conversando comigo.
Judy se calou. Eu me calei também. Depois de um longo silêncio, minha mãe me chamou:
-Filha!Você vai se atrasar pra escola.E quem é ela?
-É uma aluna nova- eu disse-Ela está experimentando a Sá Pereira e se ela gostar da escola ela poderá ficar.
-Ela nem tem material ou uniforme.
-O quê?! Falou Judy.
-Shhhhhhhhhhh! Se minha mãe descobre quem voce é realmente estamos fritas!- Falei baixinho.
-E como você se chama? – Perguntou minha mãe.
-Ela se chama Clara e não sabe o caminho da escola.
-Cadê seus pais? – Minha mãe falou com Judy.
-Os pais dela deixam ela ir sozinha. Ela mora perto.-falei.
-Mas ela não sabe o caminho.
Eu perdi meu mapa.-Disse Judy.-Posso acompanhá-las?
Eu e Judy fomos à escola. Quando entramos na sala, a professora Carla falou:
-Olá! Está atrasada. Quem é a menina que te acompanha?
-É uma aluna nova – Expliquei – Ela não tem material uniforme…
-Estou experimentando.- disse Judy.
-Porém, ninguém me avisou que teríamos visitas.
-Era…Era uma surpresa.- falei já com medo de arrumar problemas.
-Tudo bem.- falou Carla – Vamos começar a aula.
Era quarta-feira. Judy sentou do meu lado e nós curtimos o dia.Depois da aula de expressão corporal,o sino tocou e me chamaram no microfone. Eu então chamei a Judy e saí para dar um abraço na minha mãe .Mas antes que minha mãe me visse, Judy me puxou para trás de uma árvore. Depois falou:
-Eu preciso voltar pro livro.
-Você tem razão.Mas como? – Perguntei.
-Já sei!Mas preciso do livro agora.
-Shiiiiiiii… Minha mãe deu ele pra secretaria e eles o colocaram na biblíoteca.
-Então temos que recuperá-lo!
Nós duas entramos na escola novamente e subimos correndo para biblioteca. A porta estava aberta, mas a Paula não nos deixou entrar.
Nós tivemos que empurrá-la. Eu procurei rapidamente o livro e quando o peguei, percebi uma coisa estranha.
Normalmente na capa do livro tinha uma illustração da Judy. E dentro do livro também. Mas quando eu olhei ,a capa e as folhas estavam em branco!
-Rápido! – Disse Judy – Nós temos pouco tempo.
A Anna entrou na biblioteca e as duas vieram pra cima da gente. Então, eu passei por baixo das pernas da Anna e a Judy por baixo das da Paula.
Nós corremos desesperadamente pelas escadas e entramos numa das cabines do banheiro feminino.
-Que horas são? – Perguntou Judy.
Depois disso, eu saí da cabine e procurei por uma menina com um relógio no pulso,e logo vi uma. Ela tirou o relógio e o colocou do seu lado, pois ia lavar as mãos.
Sem que ela percebece, eu peguei o relógio dela e entrei na cabine novamente. Então respondi:
-São seis pras seis.
-Essa não! – Exclamou Judy.
-Que foi?
– Á que horas você deixou o livro?
-Às doze e meia.
-Que droga!
-Que foi?!
-Vamos ter que esperar até às próximas doze e meia.
-Pra quê?
-Para eu poder entrar no livro. O portal do livro só se abrirá no exato momento em que eu saí do livro. Vamos ter que esperar agora.
Quatro horas depois, Judy me perguntou:
-Você tem algum lanche?
Quando ela terminou a frase, eu escutei um barulho na porta.
-Rápido! Suba na privada, falei.
Era minha mãe e a Carla que tinham entrado para ver se tinha ainda uma criança. A Carla olhou por debaixo das cabines para ver se apareciam os pés de alguém, mas não encontraram nada. Depois, Carla gritou:
-Se tiver alguém aí eu aconselho que saia, pois vamos fechar a escola!
Nada aconteceu e elas foram embora:”Ufa!”,suspiramos.
Duas horas e trinta minutos depois, eu falei:
-Tá quase na hora, faltam só quatro minutos!
-Antes de eu ir embora – falou Judy – Pode me dizer como você se chama?
-Eu… Eu ma chamo Ainoa. A-i-ene-o-a.
-Em que página você parou, Ainoa?
-Eu li e depois reli. E quando li na segunda vez eu parei na página trinta e nove.
Judy pegou o livro da minha mão e procurou por essas páginas e quando abriu o livro,as páginas trinta e oito e trinta e nove estavam brilhando!
-Adeus, Ainoa – disse Judy.
-Adeus, Judy!
Quando ela entrou no livro,tudo ficou escuro! E quando percebi,estava de olhos fechados,deitada na minha cama. Quando abri os olhos,estava no meu quarto.
-Ah! Que pena! Será que foi tudo um sonho?
Eu fui tomar café e depois voltei para meu quarto e vi que o livro que li ainda estava lá. Quando abri na página trinta e oito e trinta e nove,havia um envelope. Que estranho! Eu peguei o envelope e vi que estava escrito: “De Judy Moody para Ainoa” com uma letra bem Judy Moody.
Não sei não. Mas acho que nunca dormi tão bem em toda minha vida.

Eu e a Minha Boneca

Maria Luisa Cheuiche

Na quarta-feira, quando eu acordei, levei um susto: uma boneca da Emília estava ao meu lado. Eu achei estranho, pensei que ela já tinha ido para doação. Quando levantei, escutei um pequeno sussurro da Emília dizendo:
– Malu, ei, eu vim passar o meu dia com você!
– Você está falando? – perguntei assustada.
– Sim, sou eu, a Emília do Sítio. Vou ficar o dia com você. – Ela disse, toda ofegante e dali em diante ela não parou de falar nem um segundo.
Quarta feira eu tenho natação no mar e é claro que ela quis ir junto. Tentei explicar que ela era apenas uma boneca de pano e poderia se afogar. Dito e feito: a Emília se afogou! E sabe quem teve que salvar a pobre, coitada e indefesa da boneca?? EU!!! Tive que sair da água, parar a minha aula, perder quase trinta minutos, torcê-la, e quando chegamos em casa tive que botar mais algodão dentro dela para que ficasse mais “gordinha”.
Eu fui tomar banho e a Emília ficou injuriada comigo porque eu não deixei ela tomar banho, para não se molhar de novo. Eu acho que esse foi o maior erro já cometido por mim, pois ela ficou me pertubando de tanto tagarelar .
Na hora que eu fui para a escola e tive que levá-la, todos riram de mim (só) porque eu estava com uma boneca. Como ninguém a escutava, só eu, a minha pessoa teve de se passar de boba falando sozinha. No recreio, eu emprestei a boneca para uma garotinha que já estava me atormentando igual a Emília quando fica insistindo em alguma coisa. Achei tanta semelhança entre elas duas que dei pra garota a boneca. E como diz a segunda versão do ditado: “Matei dois coelhos com uma caixa d água só”.
E a Emília, íntima como é, já foi logo se sentindo a melhor amiga da garota.
Hoje em dia me sinto até culpada por ter colocado a boneca na vida da garota e ter estragado o futuro da menina, mas o que eu posso fazer se ela quis porque quis ficar com a tagarela da Emilia? Eu apenas deixei fluir e que ela se resolva com a boneca, porque,comigo não dá mais.

Um Dia com Nicolau

Artur Lobão de Melo

Terça -feira, à noite, estava lendo um dos livros do Pequeno Nicolau, mas já com sono. Fui dormir. Às 7h 55m senti me cutucarem e acordei. Olhei para o relógio e ainda não eram 8h, pois ele ainda não tinha tocado. Olhei para trás e lá estava o Pequeno Nicolau, me olhando misteriosamente…
Esfreguei os olhos, pois não estava acreditando no que via. Era ele mesmo, verdade, pisquei, pisquei e ele continuou lá. Então, é claro, não perdi nenhum minuto, pulei da cama e começamos a conversar.
– Inacreditável você aqui! Como você conseguiu sair de um livro?
– Artur, você não sabia que coisas impossíveis também podem acontecer?
– Como você sabe meu nome?- perguntei admirado.
– Ué, eu também leio as suas histórias na revistapontocom-disse ele.
– Ah, entendi, respondi. Já ia me esquecendo de dizer: hoje é dia de futebol e se você quiser ficar por aqui terá que ir comigo.
– Eu adoro mesmo bater uma bolinha!
Saímos do quarto, passamos pela sala, meus pais se assustaram, lembraram do menino do filme. Logo gostaram de Nicolau também, mas desconfio que eles ficaram com aquela pulguinha atrás da orelha, pensando se eu não teria ainda mais motivo para fazer umas boas traquinagens.
Chegamos ao futebol. Fomos conversar com o técnico para pedir para que Nicolau pudesse jogar. Claro que ele deixou, não é sempre que temos uma visita ilustre e um futebol que pode virar história de livro… Por sorte, ficamos no mesmo time, jogamos muito, faltava apenas um minuto para o jogo acabar e o placar estava 2 a 2, então…
PRRIIIII!! Pênalti para nós!
Era o último lance do jogo. O juiz apita. Nicolau vai bater… E aí, leitores, o que vocês acham? Ele marcou ou não esse gol? Ou será que isso tudo não passou de um sonho meu, naquela quarta, amanhecendo?

Harry Potter saiu do livro

Henrique Vidal

Em um dia eu estava andando por Botafogo, e vi uma pessoa que estava escondendo o rosto. Primeiro pensei que ela estivesse chorando, mas depois que olhei para ela durante um minuto, eu percebi que a reconhecia de algum lugar; mas eu não sabia de onde. Ela não estava chorando, me aproximei e a cutuquei. Essa pessoa não era uma pessoa qualquer, era o Harry Potter! Eu não acreditei! O Harry Potter saiu dos livros e veio para o Rio!
– V-v-vo-cê e-existe de verdade?? – Disse eu.
Aí ele logo respondeu:
– Sim.
Começamos a conversar:
– Como você saiu do livro e veio parar aqui?
– Eu fui fazer um feitiço e deu errado. Então eu vim parar aqui. Aí eu tentei fazer um feitiço para eu voltar para lá, mas minha varinha quebrou.
– Você quer que eu te ajude? – Perguntei.
– Se você puder, claro!
– Em que eu posso te ajudar?
– Nós temos que ir lá em Orlando, na Universal, lá a gente vai no meu parque e compra uma varinha mágica. Depois, eu faço um feitiço e volto para o livro. – Respondeu ele.
– Você sabia que apareceu no jornal que os leitores do Harry Potter estão protestando, porque as partes em que você aparece no livro estão desaparecendo?
Ele ficou sem responder, e eu o respeitei, porque as pessoas podem parar de comprar os livros de Harry Potter e ele não fará nada da vida.
Passaram-se dias. Harry dormiu esses dois dias na minha casa. Eu já tinha comprado a passagem para Orlando. O táxi nos pegaria no caminho de casa em dois minutos para nos levar até o aeroporto. O táxi chegou um minuto antes. Eu já tinha feito minha mala. Passaram-se quarenta e cinco minutos e a gente chegou ao aeroporto. O aeroporto estava praticamente vazio. Eu fiz “chequim” e peguei a passagem. Nós ficamos parados até chegar a hora do embarque. O avião decolou e a viagem começou.
Passou a viagem toda e eu só dormi. Até que o Harry me acordou.
– Chegamos em Orlando.- disse ele.
-A gente vai sair daqui, pegar as malas e ir lá para o Parque do Harry Potter.
Foi isso que aconteceu.
Dentro da minha mala tinha umas roupas para o Harry se disfarçar e dinheiro para comprarmos a varinha. Pegamos a mala e saímos do aeroporto, pedimos um táxi e pedimos que ele parasse no parque Universal. Ele parou lá e eu e o Harry fomos no banheiro vestir uma roupa, um disfarce para que ninguém percebesse que o Harry existia.
Ficamos prontos e perguntamos para o guarda que estava ao lado do banheiro onde era o Parque do Harry Potter. Ele respondeu que nós só tínhamos que seguir reto, até encontrarmos um portão grandão escrito HARRY POTTER. Eu fiz o que ele disse. Quando eu passei do portão meus olhos brilharam de tanta coisa do Harry Potter que eles tinham feito. Eu vi a loja de doces, a montanha russa e outras várias coisas. Até que achei a loja de varinhas.
– Harry! Achei as varinhas! – Disse eu. E o Harry respondeu:
– Agora só falta comprar a varinha para eu fazer o feitiço e voltar para o livro.
– Moço, pode me dar a varinha do Harry Potter? – pediu o Harry.
– Mas é claro, custa U$100 dólares. Respondeu o vendedor.
O Harry pegou a varinha e nós fomos para o banheiro para ninguém ver.
O Harry deu uma volta na varinha e fez um feitiço muito estranho que se tornou um furacão que fez eu e ele pararmos dentro de livro do Harry Potter.
-Harry! Me tira daqui! – Disse eu.
Então ele fez o mesmo feitiço e eu fui parar na minha casa.