Dialogando com o Prefeito
2015

Minha Conversa com o Prefeito

Eu estava na aula de teatro, em Laranjeiras. Já tinha saído há uns dez minutos, estava na frente do portão, eu esperava o meu pai e a minha irmã chegarem para me buscar. Eles chegaram cerca de vinte minutos depois do horário normal, perguntei por que, meu pai me disse que no caminho eles encontraram uma multidão. Fiquei curiosa e fiz outra pergunta: “Podemos voltar pelo mesmo caminho que vocês fizeram? Meu pai fez que sim com a cabeça.
Estava trânsito, levamos meia hora o que levaria dez minutos para chegar ao lugar desejado. Mais meia hora para estacionar. Saímos de carro e andamos um pouco até chegar à multidão. De repente o monte de pessoas abriu caminho para alguém. Então, na minha frente, eu vi o prefeito.
– Por que você está aqui? – perguntei meio decepcionada.
– Vim fazer um discurso importante. – ele respondeu.
Vi em seu olhar que ele estava nervoso, sem paciência, e respondi sem pensar duas vezes:
– Ah, que decepção! Pensei que era uma celebridade, e não um ladrão disfarçado de santinho.
Ele ficou vermelho de raiva, mas eu acho que no fundo ele sabia que era verdade. Gritando, ele me disse:
– Cale a boca e não me encha o saco!
Meus olhos arderam em chamas e eu falei com muita certeza:
– Você acha que isso me insulta?! Eu poderia ficar o dia todo explicando os motivos que realmente me insultam, mas eu não quero ficar o dia todo olhando para você! Sabe o que me irrita mesmo? O fato de você e todos os outros políticos nos roubarem, e usarem o nosso dinheiro para idiotices!!!
Ele quase me bateu:
– Cale a boca sua idio…
Eu interrompi:
– Cale a boca você! Vamos, pai, eu tenho coisas melhores para fazer!
Eu me virei, peguei a mão do meu pai, e fui embora toda orgulhosa.

Bruna, F6M

O Dia em que Virei Prefeito

Não aguentava mais, esta cidade estava um caos!!! Pessoas abandonando suas casas, preços aumentando, conta de luz lá em cima!!! Eu tinha que fazer alguma coisa, saí de casa, pensando no que ia fazer. Tive a ideia de bater na casa do prefeito, uma ideia maluca, mas fui lá.
– Prefeito!!! – gritei – Vem cá, seu idiota!!!
– Que isso? Você está maluco? Aqui é a casa de uma autoridade. – disse uma moça que devia ser a secretária. – Como você conseguiu esse endereço? É o prédio original dele, onde ele passa quando quer relaxar! Quer que eu chame o segurança?
– Margaret! Que gritaria é essa aí fora? – falou o tão esperado prefeito.
Quando ele terminou de falar, percebi que estava de cueca e mais nada, relaxando, com a cidade nesse caos!
– Muito bem, senhor prefeito – falei em um tom de ameaça –, agora você vai ouvir o povo!
Enquanto eu fui falando, foi juntando gente, muita gente mesmo!!! Tinha gente com cartaz, com a cara pintada e mais um monte de outras coisas. Quando acabei de falar, bateram palmas e começaram a invadir a casa!
– Parem com isso!!! – falei achando que iam me ouvir.
Com o tempo, já tinham arrombado a porta e estavam entrando e gritando:
– ABAIXO O PREFEITO! ABAIXO O PREFEITO!
É claro que os seguranças não conseguiram resistir, e então não tinha ninguém mais na rua, todo mundo dentro de casa, dava para ouvir o barulho do quebra-quebra! Aí eu percebi que o meu trabalho já estava feito…
De repente, o prefeito tromba em mim com uma taça de champagne na mão! Como ele conseguiu fugir? Saí correndo, e quando o alcancei, pulei em cima dele e falei:
– Pare, desista, por que você está fazendo isso?
– Pare digo eu! Vocês estão invadindo a minha casa!
– Mas prefeito, a cidade está um caos! E você aí relaxando!
– Você acha que é o bonzão, não é? – ele falou em um tom irônico – Se você acha que eu sou tão ruim para esta cidade, por que você não vira prefeito?
Depois disso, fiquei muito confuso, mas ele pegou uma espécie de chave da cidade e me entregou. Quando o povo chegou, expliquei a história e eles aceitaram perfeitamente!!!
Agora virei prefeito, mas moro em uma mansão? Não, continuo morando no subúrbio. E o dinheiro? Doei tudinho, e isso porque o prefeito da cidade não sou eu, mas sim o povo!

Tomás, F6M

Será?

Hoje vou ao Palácio da Cidade para uma entrevista coletiva com o Eduardo Paes, o prefeito do Rio de Janeiro, para fazer perguntas sobre as Olimpíadas Rio 2016. A entrevista foi marcada para as 9h da manhã. Já vou indo para não me atrasar, pois não posso perder nenhum detalhe.
Está na hora:
– Por que você está vestido de Pereira Passos?
– Bom dia! Primeiramente, quero homenagear o nosso grande prefeito.
– Vamos direto ao assunto, por que vocês da prefeitura aceitaram ser a sede das Olimpíadas? Sendo que não temos condições?
– Porque queremos ser mais populares no mundo.
– Mas e o povo, como é que fica?
– Eu estou pouco me importando com esses pobres que nunca estão felizes com nada.
– Jura, então o senhor não está nem aí com os que estão perdendo com as obras?
– Com aqueles mal-agradecidos…
– Mas o senhor acha que nós estamos prontos para um evento desse tamanho?
– Com certeza!
– Será…
Cenas para o próximo capítulo!

Nicolas, F6M

Telefonema Não!!!

(Barulho de telefone)…
– Alô? Senhor prefeito?
– Sim, quem é?
– Não lhe interessa, só queria falar que você é um…
– Nossa, que agressão à toa! Aff, como existe gente mal-educada…
– Mal-educado é o que você está fazendo conosco, retirando moradias de nossa sociedade, o problema da poluição e as construções que estão atrapalhando o tráfego.
O prefeito desliga, fica em silêncio, sem palavras. Fico impressionado com a sua atitude. Torno a ligar, ninguém atende, ligo mais duas vezes e nada.
Saí espalhando essa história para todos. Dois anos depois, na eleição, ninguém votou nele por minha causa. Às vezes, eu sinto que ele está à procura de vingança.

João Baeta, F6M

A Chuva Pode nos Ajudar

Naquele dia chuvoso estava deitada no sofá apertando o controle da televisão, até que parei em um canal onde uma entrevista com Eduardo Paes dizia:
– Como você pretende diminuir essas enchentes, Eduardo Paes?
– Bom, primeiro eu vou tirar algumas árvores da…
– Quantas mais ou menos? – interrompeu a repórter.
– Umas mil e quinhentas no mínimo. E depois, vou demolir todas as casas da Rua Mar de Fevereiro.
– E quando você pretende demolir essas casas, Eduardo Paes?
– Hoje mesmo, às 12h.
Nesta hora, desliguei a televisão, essa é a minha rua! Minha casa vai ser demolida daqui a uma hora! Paralisei. Não acreditava que isso era verdade, não podia ser. Eu moro aqui desde que eu nasci. Esta é a minha casa, meu lar. Pensei em desistir, como eu ia chamar a polícia se eles são a polícia? Me senti em uma corda, quase se rompendo, mas você acha que sou uma destas garotas que desistem fácil? Pois eu não sou. Me sentei próximo à mesa do meu quarto e comecei a escrever em um papel coisas como: “ Eduardo Paes, deixe a rua em paz!”
Enquanto eu fazia os meus cartazes, ouvi sons de tratores e pensei: “Chegou a hora.” Todos os vizinhos se reuniam na rua, a chuva ficava cada vez mais forte. Cheguei perto de Eduardo Paes e disse:
– Se você demolir nossas casas, onde nós vamos morar?
– Vocês arranjam outras casas.
– Cale a boca! Eu preciso desta casa!
Então a água cobriu a cabeça do prefeito e ele falou:
– Me salva! Eu não sei nadar!
– Só se você parar de demolir…
– Ok! Parem! Parem! Não vamos fazer isso!
Então o ajudei e voltei para casa.

Clara, F6T

Minha Cidade em Colapso

Um belo dia, eu estava na minha casa tranquilo jogando vídeo game, quando de repente… Escutei um barulhão! Fui até a varanda e vi o maior temporal da minha vida. Tinha até onda arrastando os carros, saí de casa, peguei o meu carro na garagem e fui para a rua.
Eu peguei o caminho mais longo, porque o mais curto estava todo alagado. Ninguém conseguia passar. Fui, então, até a casa do prefeito e toquei a campainha. Seu secretário atendeu:
– Já sei, você quer falar com o prefeito, não é?
– Isso mesmo. – respondi.
– Beleza. Eu vou chamá-lo.
– Pois não. – disse o prefeito.
– Prefeito, ajude a cidade.
– Sinto muito, mas vou jantar na casa do meu melhor amigo.
– Então, por que você não dá um jeito na cidade depois do jantar?
– O jantar termina às 3h30 da manhã, estarei dormindo.
– Então quando será, prefeito?
– Amanhã.

Antonio Nery, F6T

A Reunião com o Prefeito

Horrorizado olhei para o lado esperando que ao menos o ônibus chegasse, porque o que mais olhava para as pessoas em minha volta era o desespero transparecer em seus rostos no caos que estava naquela terça-feira chuvosa, no Rio de Janeiro. Desmarquei o meu motorista, experimentando pegar o ônibus como os cidadãos fariam.
Estava cheio, quer dizer, cheio era pegar leve, estava entulhado, lotado e sei lá mais o quê, mas sei que depois de horas de trânsito, espremido e em pé, meu corpo todo estava dolorido. Saltei o mais perto possível do escritório do Eduardo Paes e marquei uma reunião com ele.
Andei alguns quarteirões, não me importando se a chuva molharia o meu terno de algodão, para que ele visse as maravilhas que eram os seus meios de transporte. Quando cheguei, uma mulher me encarou meio admirada, meio exausta, e disse que o prefeito estava me esperando em sua sala. Assim que entrei, ele me perguntou se eu estava gostando de minha reserva no Copacabana Palace.
– Sim – eu disse – mas queria te perguntar se…
– Já provou o churrasco daqui?!
Estava falando de sua cidade fantasma, puxando toda a conversa para as festas, praias, comidas, e etc. Era como se o Rio fosse uma cidade perfeita, que ele sempre falava…
– E isso acontece toda vez?
– O quê? – perguntou ele com a testa franzida, parecia surpreso.
– A cidade virar um caos com uma chuva? E as greves? E as pessoas sem casa na rua? E as pessoas sendo despachadas de suas casas por obras desnecessárias? E a violência? E o tráfego? Sinceramente, não acho que a Copa possa ser aqui.
Ele me olhou surpreso e até meio assustado, porque sabia que como presidente da FIFA eu tinha todo o direito e mais algum de fazer aquilo. Daí recuperou a pose (que era tudo com o que se importava) e me lançou um sorriso cínico.
– Isso cabe a você falar com a presidente, e não a mim….
– Então faremos uma reunião – disse a ele – todos nós, mas se você não começar a fazer algumas obras que a cidade realmente necessita, vou mudar a localização.
Olhei para a grande parede de vidro que ele tinha em seu escritório e chamei-o para perto. Um carro batia no outro, um ônibus batia num poste e acima de tudo soava o barulho das ambulâncias que nunca paravam de tocar.
Então saí, deixei-o olhando para o que havia construído atrás da cidade perfeita que era tão frágil, palavras a derrubavam facilmente. Olhei para o prefeito pela última vez, e percebi que ele parecia desapontado, até mesmo meio chocado, foi quando descobri que às vezes um homem conta a mesma mentira tantas vezes que passa a acreditar nela.

Clarice, F6T

A Discussão com o Prefeito

Um belo dia, eu estava andando pela cidade, então eu ouvi um barulho estranho, e depois outro e outro. Pensei um pouco e cheguei à conclusão que estavam fazendo um panelaço. Peguei o meu celular e fui pesquisar. Estava todo mundo em Laranjeiras, ouvindo aquele tal de prefeito. Fui correndo para lá, e o prefeito estava fazendo um discurso. Eu tinha umas poucas e boas para dizer a ele. Subi, então, no palco e disse:
– Esse homem é um mentiroso!!!
E todos se assustaram.
– É verdade, ele só fala mentira.
– Acalme-se, rapaz!
– Não! Você é mentiroso e eu provar. No parque aquático, você colocou um tobogã gigante, mas quando começou a chover, o tobogã caiu e destruiu todo o parque.
– Isso não prova nada.
– Calma, isso foi só um detalhe, o que eu quero dizer é que você não faz nenhuma obra importante para a cidade ficar no mínimo inteira. Porque você constrói uma coisa linda, aí vem a chuva e destrói. Então, pessoas ficam sem casa, amigos e família.
– Nossa, cara, isso foi lindo, só tenho uma coisa a falar.
– Pode falar.
Ele estalou os dedos:
– Seguranças!!!
De repente, chegaram dois homens gigantes e me levaram embora, enquanto eu gritava.
– Me aguarde, prefeito. Me aguarde, porque eu vou voltar! HA HA HA…

Bernardo, F6T