outubro de 2013

Rio Amazonas: da Gota Á’gua ao Oceano

Os estudos sobre o rio Amazonas propiciaram muitas descobertas para as F3. Um dos encontros que mais encantou a criançada foi a leitura das lendas. Para cada fenômeno da natureza, uma história inventada com aventuras e personagens bem brasileiros, explicando e interpretando aspectos do nosso grande rio. Aqui estão alguns desses recontos produzidos ao longo das pesquisas.

Chuva Roubada

Era uma vez um tempo em que não havia chuva, mas existiam rios, lagos, lagoas, cachoeiras, muita água pela Terra.
A Cobra Grande morava lá na ponta de uma árvore muito alta. O Jacaré nadava num rio perto da tal árvore da Cobra. Eles não se gostavam e viviam implicando um com outro. Até que um dia o Jacaré que era muito mandão, mandou derrubar a árvore da dona Cobra. Ela ficou furiosa e resolveu ir morar no céu, mas para se vingar levou todas as águas, não deixou nenhuma, para o Jacaré morrer de sede.
Com tudo seco, os peixes, os pássaros, as tartarugas, até os homens e mulheres começaram a morrer de sede. Todos os lugares viraram um grande areal. Os bichos se reuniram e resolveram pedir ao urubu, que voa muito alto, que voasse até o céu, para falar com dona Cobra Grande, dando as tristes notícias e pedindo a ela que por favor, mandasse as águas para baixo.
O urubu voou de volta trazendo a novidade. Dona Cobra Grande concordou, sob uma condição: ninguém poderia mais derrubar as árvores da floresta. A água foi então, devolvida em forma de chuva.
Até hoje essa chuva cai, mas quando derrubam as árvores, descontrola todo o clima, criando secas e grandes enchentes.

A Culpada Foi a Onça

Há muito tempo as águas dos rios eram paradas, não tinha correnteza. A onça pintada era muito vaidosa e se achava o bicho mais bonito de toda a floresta. Tinha muito medo de cair nas águas dos rios e virar um peixe, uma tartaruga ou um jacaré. Fazia questão de continuar sendo um belo macho de sua espécie.
Mas um dia a onça se apaixonou. Custou a tomar coragem, mas foi declarar seus sentimentos à sua amada.
Ficou pasma com o que ouviu da amada. ”Antes de se dirigir a mim, vá tomar um banho, você tem um cheiro de espantar todos dessa floresta”.
Coitada da onça, ficou muito desapontada, mas amor é amor. Passou o dia se lambendo e foi de novo fazer sua declaração. Foi recebida com pedras na mão “Parece que o cheiro piorou, vá tomar um banho bem tomado no rio”.
Entrar no rio, virar um jacaré cascudo, ah, isso é que não, pensou a onça. Desnorteada foi falar com o macaco, que disse a ela para tomar um banho de perfume, assim ela ficaria irresistível.
Assim fez, esfregou óleo de pau-rosa pelo corpo. Lá foi ela convencida que dessa vez conseguiria conquistar sua amada.
Mas dessa vez a resposta foi pior.
“Suma daqui e só volte limpinha e cheirosa, tome um banho de rio”.
Não houve jeito, a onça se jogou no rio apavorada, nem mesmo as águas suportaram seu fedor, começaram a se mover e correr passando pelos lagos, lagoas, cachoeiras, córregos e nunca mais pararam. Até hoje todas as águas do planeta continuam correndo e desaguando no mar e dessa maneira nasceu a correnteza.

Lenda da Cobra Grande

F3T

Diz a lenda, que há muito tempo existia uma cobra muito grande chamada Cobra Grande. Um dia, ela estava dormindo na beira do rio Amazonas quando de repente ouviu um barulho estranho, acordou e viu que eram dois homens cortando árvores sem parar. Ela ficou furiosa por que as árvores são como uma segunda casa para ela.
Então ela bolou um plano, foi chegando devagar pra perto deles, sem ninguém perceber. Por sua vez, os homens sentiam arrepios a toda hora, mas deixavam pra lá, sem dar grande importância ao que estavam sentindo. A Cobra Grande estava cada vez mais perto, foi pra trás de um deles e o engoliu de uma vez só.
O outro homem ficou morrendo de medo, saiu correndo, pegou seu barco e foi embora. A Cobra Grande, que ainda estava furiosa, foi atrás dele se arrastando pelo fundo do rio formando as curvas no rio Amazonas.
Dizem que é por isso que esse rio tem muitos meandros pelo seu caminho. Quanto a Cobra, acho que ela está procurando o homem até hoje.

Lenda da Pororoca

F3T

Há muito tempo no rio Amazonas, Jacy sumiu! Diz a lenda que a mãe d’água tinha uma canoa que amava tanto que até deu um nome para ela, Jacy.
Certo dia Jacy sumiu. A mãe d’água ficou desesperada e convocou todos os seus filhos para ajudá-lá. Chamou a correnteza, a maré alta, a maré baixa, cachoeira, lago, rio e repiquete. Ordenou que todos fossem procurar por Jacy em todos os cantos do rio. Assim, juntos, eles formaram uma grande onda que invadia todos os cantinhos da floresta e deram o nome de Pororoca. Porém, como nunca encontraram a canoa de sua mãe, desistiram de procurar.
A Maré alta, que era a filha caçula ficou muito triste e resolveu continuar procurando. Por isso, até hoje, duas vezes por ano, ela usa o poder da atração da lua para formar aquela onda destruidora que consegue chegar em todos os cantinhos da floresta. A Pororoca.

O Grande Rio Sai dos Potes de Água

O espírito da montanha guardava toda água limpa do planeta dentro de potes em sua caverna. Seu nome era Ibiacema. Ele roubou Anaí e Anajá, duas belas índias de uma tribo e as manteve prisioneiras por muito tempo.
Até que um dia, Antã e Cauiá avistaram as índias e se apaixonaram por elas, então resolveram salvá-las de Ibiacema.
Combinaram com o tatu de prender o espírito dentro da montanha em sua caverna. Ibiacema, furioso, usou toda a sua força para tentar se libertar, mas não conseguiu.
Enquanto Ibiacema tentava se libertar, a montanha tremeu tanto que os potes se quebraram e assim a água começou a corres montanha abaixo formando o rio Amazonas.

Por Que a Água do Mar é Salgada Se a do Rio é Doce?

Diz a lenda, que há muito tempo, em uma tribo de índios havia um velho cacique chamado Tucumã. Ele estava fazendo uma salada na beira do mar, quando viu que estava sem sal, então resolveu pedir para uma tribo vizinha. Tuaua (cacique da tribo vizinha) deu o sal para o amigo, mas sem querer, deixou cair um monte de sal na mão de Tucumã. Era tanto sal que nem dava mais para ver a mão dele.
Tucumã voltou para sua tribo e lá lavou a mão no mar. Foi quando percebeu que aquele sal era diferente, ele se multiplicava quando entrava em contado com a água.
Assim, o sal se multiplicou embaixo da água e é por isso que o mar até hoje é salgado. Juro que vi!