Dezembro de 2014

A Proposta

Estudando os textos argumentativos, nos encontramos com os manifestos, seus motivos e estruturação. Tendo em vista o Projeto Institucional, nos aproximamos da ideia de antropofagia e dos manifestos da Poesia Pau Brasil e Antropofágico, de Oswald de Andrade. A proposta era que os estudantes pudessem pesquisar outros manifestos, observando suas causas, argumentos e estrutura. Ao mesmo tempo, em pequenos grupos, tinham o desafio de produzir um manifesto abordando um tema escolhido pelo próprio grupo.

Manifesto Lógico

Por Davi, Francisco e José

“Você não vai assinar o seu nome?
Gostaríamos de sentir que você é aceitável, respeitável, apresentável – um vegetal!
Não assine! Não assine e diga a eles que uma lagarta fumadora de narguilé fez a chamada.
Chame Alice! E diga pra ela tomar cuidado com o que diz, senão a chamarão de radical, liberal, fanática, criminosa. Criminosa?! Não fique presa na prisão da lógica.
Chame Alice! Vamos pra um lugar do baralho, um lugar pluft, pluft, pluft, um lugar livre da tirania do sentido e da lógica. Não é uma estrada, é uma viagem.
Vamos para as profundezas das ondas nos labirintos das cavernas de corais; um lugar onde tudo é verde e submarino. Então, vamos jiboias, boias e claraboias, vamos para a terra do psicótico Doutor Soup, afinal, a vida não se baseia apenas na base do baseado, explicado, fundamentado, argumentado – armado!
E, então, você não vai assinar o seu nome?”

Não ao Verbete!

Por Clara e Luiza

“Dicionário, a cura de todas as dúvidas, nem sempre está certo. Nele, há mais do que dez definições de mulher, mas algumas são bastante questionáveis.
É necessário mudar a definição de mulher, porque se nem todas as mulheres são representadas – o impossível – é melhor que não se represente – em detalhes – nenhuma.
Nada de ‘bicho perfeito’ por causa das mulheres que choram com propaganda de refrigerante e que gritam sem motivo.
Nada de ‘pessoa do sexo feminino casada com um homem’, pelas mulheres que nunca vão se casar.
Também não se pode separar a garota da mulher pela sua primeira relação sexual, porque existem as mulheres virgens.
As mulheres já foram julgadas demais, não precisam de mais um livro apresentando-as para o mundo como um conjunto de definições idealizadas, tão equivocadas. Coisa difícil é que alguma mulher se identifique e tenha uma definição para chamar de sua.
Não! Não ao verbete!”

Levante do Sofá

Por Antonia, Maria Helena e Rosa

Agora que o seu pai tirou o cálice da mesa, e você não é obrigado mais a beber o vinho tinto de ninguém, o que você vai fazer? Calar-se?
Lute!
Lute a favor da poesia, lute a favor da vontade, a favor da luta!
Se desacomode desse lugar. Desacostume!
Mude!
Mude os hábitos que lhe parecem errados.
Do que adianta viver do que você não gosta, do que lhe soa estranho?
Onde se escondeu a vontade de fazer o ato, de tornar o desejo real?
Não siga os movimentos, não siga os que lhe parecem superiores. Invente os seus próprios.
Se desacostume desse lugar.
Levante do sofá.
Se desacomode.

Manifesto Distraído

Por Letícia

Mostra-se ciente da importância desse manifesto qualquer um que não olhar para o lado, qualquer um que não cantarolar baixinho uma música que está na cabeça ou que não rabiscar seus não-pensamentos em mesas que não são de suas reais posses, já que, sentado na sala de aula, você só é rei nesse trono durante cinco míseras horas.
Esse manifesto prima o mau humor de Wandinha Addams, fala sobre a alegria das princesas Disney, cita a influência da magia em nossas mentes despreparadas para essas ilusões e visa a circunferência da roda do bambolê.
Ele também comenta um pouco sobre nada disso, e como tudo isso é contraditório.
Esse manifesto fala sobre coisas que nunca serão ditas, já que na minha viagem esse manifesto saiu quase que de cabeça para baixo.
Do que realmente importa nesse manifesto, a escritora quer que, para o futuro disperso de seres humanos cantores de ventos passados pelos seus cabelos, tais tópicos devem ser lembrados:
-Lembre-se de esquecer;
-Reconheça que nem tudo é de suma importância;
-Cante os mares, os amores e as dores de tudo que não existe, mesmo que de corpo, não o devesse fazer;
-Batuque as raças das gentes preocupadas no CEO;
-Perca-se nas palavras que jamais serão ditas, por serem conversas sozinhas;
-Sinta apenas o cheiro da chuva, para que nada mais precise ser tão real.
Esse manifesto visava todas as coisas do mundo, mas, infelizmente, ele terminou perdido, já que, ao longo do tempo, a escritora voou para uma música qualquer.

Contra a Tirania do Estereótipo

Por Luiz, Manuela e Stephanie

Do povo e para o povo. De igual para igual.
É preciso acabar com esses moldes, facetas criadas pela sociedade. Molduras cujos quadros são diferentes, porém educados, desde cedo, a serem iguais.
Imagine-se em um ônibus. Nele se encontram diferentes realidades da sua. Ao fundo é possível ouvir comentários sobre sua roupa ou sobre seu cabelo. Comentários feitos por pessoas que apenas o fazem para se defender, mesmo que inconscientemente.
Todos estão cansados de serem julgados por diversos aspectos, seja por conta da etnia, religião, sexo, roupa, ou meio social.
Afinal, quais são os valores que a sociedade prega atualmente?
Atualmente, vivemos em um contexto social e estamos aprisionados a um padrão. Quem não o segue, é repudiado e estereotipado.
Ninguém nunca está feliz consigo mesmo, esta é a verdade. O ser humano é impulsionado por uma busca infinita daquilo que está na frente, neste túnel escuro, que imaginamos terminar em utopia. O futuro é uma projeção platônica. Ele não existe, todavia, existimos em função dele, ou pelo menos a ideia que temos dele. Nunca estamos satisfeitos porque nos focamos tanto em uma ideia fetiche que, quando a alcançamos, ela simplesmente não nos sacia como esperávamos, então buscamos sempre mais.
No entanto, somos todos seres pensantes, capazes e, como tal, temos que lutar contra a insinuação dos estereótipos.
O padrão gera uma impressão sólida, que gera um estereótipo, que gera um rótulo. Querendo ou não, estamos todos enquadrados nesses rótulos. Já passou da hora de nos desenvolvermos moralmente e acabarmos com isso de uma vez por todas.
Todos nós estamos trajados com máscaras de concreto, rótulos que nos convencem a ser quem não somos, porque no final descobrimos que somos várias máscaras de porcelana fragilizadas pelas feridas concretas dos estereótipos.

Toda Maneira de Amor Vale a Pena

Por Helena Tonini e Julia

Deixe o amor fluir
Deixe o amor nascer e renascer
Queremos o amor de todas as formas
Queremos o amor que cura, o amor que luta e o amor que cuida
Queremos sentir o amor
O coração do outro junto ao nosso
O frio na barriga ao contato
Queremos fazer um sorriso no outro
Tudo apenas com amor
Queremos o amor branco, queremos o amor negro, queremos o amor das cores do arco-íris
Exigimos respeito aos que amam acima de tudo
Vamos amar a nós mesmos e ao próximo
Vamos amar além de credo ou cor
Queremos amar independente do seu pudor
Queremos amar independente de idade
Queremos amar e ponto, queremos mais é ser amados.

Na Marionete, o Modismo

Beatriz, Duda Lazoski e João Pedro

Queremos justificar os mais loucos dos atos, mas a verdade é que já sabemos sua justificativa. Nos escondemos dela, e nos recusamos a aceitar e admitir que dela usufruímos. Porque mesmo aqueles que insistem em dizer que não o seguem, o seguem, que não o usam, usam, que não o admiram, admiram. Eu admiro, eu admiro o modismo, mas sei muito bem que o sigo. Será por que algo tão ruim e controlador impôs, e impõe, ordens e estilos que mesmo sem gostar nos deixamos levar? Cada um de nós, dentro do mundo é, e nunca deixará de ser, uma marionete, com pensamentos unificados. Tudo por causa do modismo, como conseguiu ele nos controlar?
Morar em casas feitas por cimento e tijolo, moda.
Comer comida orgânica, moda.
Transgênica, e cheia de química, moda.
Sair pelas ruas com a vontade repentina de manifestar algo que já estava errado há tanto tempo, moda.
O livro mais vendido que todos querem ler, moda.
Saias rodadas, shorts curtos, moda.
Usufruir da tecnologia, computadores, televisões, moda.
Casamento, carro, moda.
Ser loira e magra, ser morena de olhos verdes, ser gorda, ser alta, moda.
O poder do modismo que nos controla involuntariamente.
Se junte a mim com esse pensamento, reflita, mas não por moda. Não quero controlar-te.
Pense por si mesmo e se liberte das cordas que te prendem, da caixa apertada que te encolhe e te sufoca, do modismo que te controla. E então se junte a mim, porque não quero controlar-te.

Contra o “Feliz” Ano Novo

Por Carolina, Dora e Laura

No Ano Novo as pessoas são felizes. Apenas nele.
Ao decorrer do ano, elas erram, acabam amizades e criam inimizades que terão que se dissipar ao chegar a tão importante data.
Por que só na virada as pessoas resolvem mudar?
Somos contra a falsa promessa, criada para se sentir bem com todos no final. Não há problemas em mudar, desde que não o faça apenas para e por causa de uma data.
Acaba que nos dias de hoje de “novo” não tem nada. Temos de nos liberar desta ideia de que nos purificar na celebração de um ano novo, sempre em trajes brancos, é obrigatório.
Vamos usar azul; ou verde (que significa liberdade) e, aos poucos, mudar a tradição.
Lutamos por um Ano Novo inédito, simbólico para cada um, e por fim, feliz.
Verdadeiramente feliz.

Por uma Vida mais Poeta

Por Arthur, Bento e Maurício

Você vai comprar! Você vai comprar esta ideia?
Você é manipulado, mas não sabe. Tu és um poeta!? Só acha, mas, na verdade, sua vida é controlada.
Eles escolhem o que você quer e o que você tem. A informação é deles, por trás das telas, há muitas outras.
Eles fazem o animal matar a si mesmo, ou o amigo. As informações são deles, suas mentes são deles, você pode ser deles.
Viva, não saiba. O saber pode ser a falta de sabedoria. E, sabendo, você não saber nada.
Você só sabe se você está lá fora, pois o vivido não é contado. O protesto da TV não é real. O contato é real.
E, então, sua vida é poética?
A poesia é sufocada nos dias atuais pelo capitalismo, pois é exatamente o contrário dele.
O capitalismo é produção em massa, e poesia é a liberdade de não produzir nada.
A poesia existe, mas tem que ser encontrada. E não é na TV ou nas lojas que você vai encontrar. A poesia é uma vida nova, mais alegre, melhor. Então, viva por uma vida mais poeta.

Para Quem?

Por Alice Amana

Aprender é entender,
entender é praticar,
praticar é conhecer,
conhecimento é aprendizado.

Pare de vomitar palavras sem pensar, ler aquele livro didático e decorar.
Procure o que você quer, entenda o que você achou.
Pare de ser aquele homem comum, aquele adolescente ignorante, seja novo, seja diferente, mude.
Para que seguir os mesmos métodos de anos e anos atrás?
Pra que ficar horas escutando aquele professor falar, se você vai aprender só pra fazer o teste e esquecer?
Para que fazer um teste, um teste sem objetivo real, sem motivo válido, sem sentido e moral?
Para que entregar 12 anos de sua vida para algo que nem mesmo te interessa?
Não digo que são todos, não digo que sou a única, mas digo o que acho, digo o que me interessa, digo depois de pensar, aprendo não decoro, pratico com meu texto.
Busco a educação que alguém escondeu, sem saber que era aquilo que definiria quem eu sou. E espero que não leve muito tempo para achar, porque quero que meus filhos e os seus tenham o prazer que é o de aprender e que eu tive que lutar tanto para receber.
Minha educação é para me definir. Eu deveria ter o direito de escolher, ou, pelo menos, ter um voto ao que aprender, ao que eu irei me dedicar por tantos anos de minha vida.
Por que eu tenho que aceitar o controle que tem sobre mim? Por que eu tenho que ficar parada, concordando e fingindo para outros?
Por que eu tenho que fingir? Não ser quem eu sou? Para quê? Para quem?

Pelo Direito de Não ser Original

Por Helena Lessa

Uma folha em branco, uma cabeça sem ideias, um manifesto para escrever, um prazo para cumprir.
Nada me parece bom. Quando preciso de ideias nenhuma vem até mim.
A obrigação de escrever textos novos com ideias boas tem me bloqueado. Por que não posso mais escrever aqueles textos bobos, sem coerência nem concordância, aqueles textos que todos achavam ótimos para a idade? Por que vamos perdendo o direito de escrever coisas do tipo quando crescemos? Por que temos que ser cada vez mais [e mais] criativos? Ser criativo já é tão normal que fazer um texto que não tenha uma ideia inovadora acaba sendo a coisa mais criativa a se fazer.
Pois é sobre isso o meu manifesto: pelo direito de NÃO ser criativa.
Pelo direito de escrever coisas bobas, ler livros que não apresentam desafio nenhum, resolver problemas nos quais o único conhecimento necessário é que 1+1 é igual a 2. Precisamos de uma folga, de um descanso, de um momento, aquele em que a coisa mais produtiva que você faz é ficar deitada no chão, simplesmente olhando para cima.
Se cobre menos. Relaxe. Faça besteira. Ria mais. Se preocupe menos. Bagunce. Seja menos criativo.
No final vai dar tudo certo!