Dezembro de 2012

A proposta

Nossas crianças estã tão íntimas da turma do Sítio do Picapau Amarelo, que fica fácil saber como é que cada personagem age e pensa em diferentes situações … Dessa vez, a nossa brincadeira literária foi pedir que escrevessem, à moda de Lobato, novas aventuras para os personagens tão conhecidos. Aqui estão algumas criações.

O que aconteceu com o Visconde?

Theo

Um dia comum no Sítio, Visconde apareceu bem estranho dizendo:

– Dona Benta é uma velha coroca, Tia Nastácia uma medrosa, Pedrinho um malandro, Narizinho uma maluca e Emília, bem, Emília é rainha!

Todos se sentiram ofendidos. O Visconde não era assim, ainda mais por chamar Emília de rainha… Aí todo mundo percebeu que tinha o dedo da Emília nisso…

– Emília! – todos gritaram.

Ela fez uma cara de inocente e respondeu:

– Não vejo nenhum problema em dar uma panelada na cabeça do Visconde.
– Nenhum problema para você!- respondeu Pedrinho.

Quinze minutos depois o Visconde desmaiou e logo acordou dizendo:

– Alguém lhes contou sobre o fato de Emília me dar uma panelada na cabeça?
– Sim, né, Emília?- perguntou Pedrinho
– É…

Então, tiveram que segurar Pedrinho para ele não rasgar a boneca e… ela ainda se aproveitou!

A Chave da Multiplicação

Lily

Emília estava sentada numa árvore junto ao Visconde, quando teve uma ideia. Uma das mais maluquinhas que já teve!

– Visconde, eu quero ligar a chave da…MULTIPLICAÇÃO!
– Nada disso, Dona Emília! Vai ser tudo multiplicado, inclusive você!
– Eu não sou Dona, sou boneca! – asneirou Emília, que logo em seguida foi para dentro de casa, chateada.
– Volte aqui! – gritou Visconde com seu ar bem filosófico.

Emília lembrou-se do caminho para a Chave do Tamanho. Então, saiu correndo, toda desengonçada (pois ela é boneca!). Chegando lá estava bem cansada, mas sobrou força para puxar a alavanca e ligar a Chave. Quando se virou, viu várias Emílias atrás dela, que faziam EXATAMENTE o que ela fazia. A chave havia multiplicado só a ela!
Emília e suas cópias foram para casa. Monteiro Lobato estava lá, e disse:

– O que você arrumou desta vez?
– Errrr….Eu….bem….
– Ela ligou a chave da multiplicação!- Visconde disse.
– Dedo duro! – asneiraram as Emílias mais uma vez.
– CHEGAAAA! – gritou Lobato. -Já para dentro, Emília! Aliás, Emílias!
– Tá bom.
– E agora, Senhor Monteiro Lobato? – perguntou o Visconde.
– Eu cuido disso!

Lobato desligou a chave e todas as Emilinhas sumiram!
Mais tarde, Emília saiu do castigo e deu uns bons sopapos… no Visconde.

A Máquina do Tempo

Clara Tang

Um dia eu e Emília estávamos mexendo nas coisas do Visconde, quando a Emília achou uma máquina enorme. Nela tinha uma placa dizendo:

“Máquina do Tempo. Não mexa! (Principalmente, Emília.) Ass: Visconde”
Então, Emília falou:

– Vamos brincar de voltar no tempo, Clara?
– Tá maluca, Emília, não leu a placa não?

Aí, Emília tentou me convencer:

– Deixa de ser medrosa, Clara. O que pode acontecer de mal?
– Deixa eu ver… a gente pode mudar o passado e mexer até com a árvore genealógica, resumindo: tudo!

Emília toda CONVENCIDA de que vai dar certo fala:

– Só uma voltinha, você nunca quis ver você no berçário e eu sendo costurada? Hein? Hein?

Então, eu não resisti em me ver pequena e disse sim. Entramos na máquina e pudemos escolher a data para ir.
Fomos para o dia em que eu nasci e vi meus pais me segurando no colo. Achei tão bonito! Mas durou pouco. Eu e a Emília fomos embora, senão alguém podia nos ver. Voltamos para a máquina para ver o nascimento da Emília. Foi lindo vê-la aprendendo a andar, a falar… Começou logo a falar sem parar.

Voltamos para casa. Mas, antes Emília quis ver como o sítio era antes de ser o Sítio do Picapau Amarelo, lá em 1929. Antes do antigo dono do sítio vendê-lo. Então, vimos um homem, muito poderoso, conversando com o ex-dono do lugar que quase fechou o negócio, para transformar o sítio em um estacionamento. Mas, Emília interferiu na conversa e disse:

– O senhor não pode fazer isso. O senhor está maluco? Esse vai ser nosso sítio e não um estacionamento de “quinta”, meu senhor!

Então, eu peguei Emília pelo braço e disse:

– Você não pode mexer com eles. Lembra que aqui é o passado? A Dona Benta contou que ela comprou o sítio em 1929. Ela fez uma oferta enorme e o antigo dono aceitou. Ela disse que quando ela apareceu, ele estava quase fechando o acordo com outro. Olha quem está chegando lá: Dona Benta com uma oferta bem melhor! Agora, vamos embora antes que alguma coisa aconteça de errado por causa de você, Emília.
Emília concordando foi junto comigo para casa. O Visconde estava nos esperando e levou um susto grande quando a gente chegou.

– Eu não disse pra vocês não mexerem na minha máquina!
– Desculpa, Visconde. Estávamos tão curiosas que fomos viajar no tempo.
– É, Visconde, sua máquina funciona direitinho! – falei.
– Sério? Anos tentando e tentando e, finalmente, funcionou!

Decisão de Emília

Juliana

Depois de alguns dias falando, Narizinho notou que Emília era bem filósofa e foi perguntar ao Visconde, que era um sábio.

– Você acha que Emília se daria bem se eu a deixasse fazer um passeio lá na Ilha da Filosofia?
– Sim, mas por que essa voz de amedrontada?
– Ai, Visconde! É porque eu tenho medo dela não querer voltar para o Sítio!
– Calma, Narizinho! Ela vai voltar…

Alguns dias depois ela, Pedrinho e Emília já estavam prontos para ir. Acordaram bem mais cedo que tia Nastácia e deixaram um bilhete dizendo:

“Tia Nastácia e Vovó, fomos acampar no capoeirão, voltaremos em poucos dias.
Um Abraço, Pedrinho, Narizinho e Emília”
Quando Nastácia leu o bilhete soltou um berro! Dona Benta desceu as escadas e perguntou:
– Que aconteceu?

Nastácia explicou, mas… lá longe, Narizinho pergunta aflita:
– Será que o berro que ouvimos é de tia Nastácia?
– Não, boba! Estamos bem longe do Sítio não daria para ouvirmos! – disse Pedrinho.

Quando chegaram à Ilha da Filosofia, Emília gritou:

– Chegamos! Chegamos! Anda, Narizinho! Anda!
– Calma, Emília, você está mais pesada!
– Ué! Não foi minha culpa se alguém mandou me encher de macela! – Narizinho ficou sem graça.

Lá foram muito bem recebidos. O Visconde, muito inteligente, foi na mochila de Pedrinho que ficou danado, pois ele não fora convidado. Emília logo começou a dar aulas para as crianças e disse para seus amigos:

– Viu, Narizinho?! Menina aqui também vai pra aula! Por que você não se veste de menino e vai pra escola com Pedrinho?
– Isso que você disse não faz sentido, para uma boneca inteligente como você! – respondeu Narizinho indignada com a provocação da Emília.

A boneca que não sabia o que era sentido respondeu:

– Obrigada pelo elogio, Narizinho!

Narizinho ia explicar, mas Pedrinho fez aquela cara que dizia:

– Não faz isso!

A seguir Emília disse:

– Narizinho, Pedrinho e Visconde, eu estou pensando, pensando e resumindo, tenho pensado em uma coisa.
– O quê?
– Eu acho que não vou voltar para o Sítio, vou ficar aqui.
– Não! Por favor, fica com a gente! – implorou Narizinho com lágrimas nos olhos.
– Calma, Narizinho, essa foi uma das minhas ideias loucas, como diz tia Nastácia – disse Emília acalmando a Narizinho.
– É melhor dormirmos – sugeriu Pedrinho. – A conversa está boa eu sei, mas como vamos aprender coisas filosóficas amanhã?

Quando acordaram a diretora da escola onde Emília estava dando aulas chegou e veio com uma conversa séria:

– Emília, você gostaria de morar aqui e dar aula de filosofia para as crianças?
– Sim! Adoraria! – respondeu Emília.
– Ótimo!
– Não, não gostaria, não! – interrompeu Narizinho.
– Como assim? – perguntou a diretora.
– Ah! Eu preciso pensar!
– Está bem! Volto amanhã.

Depois de um longo dia de passeios, todos foram dormir menos Emília. Emília não sabia se ia ficar ou voltar.
Narizinho, então, saiu de sua cabana e sugeriu com uma voz suave:

– Emília, eu te adoro e quero que você vá com a gente para casa. Mas se você não quiser ir pode ficar.
– Eu acho que vou ficar. Boa noite.

Narizinho que não esperava aquela resposta, ficou uma diaba que ninguém nunca viu.

– Você é idiota! Você?! Você não faz nada que eu digo! Nada!

Emília tentou acalmá-la, mas nada adiantou, Narizinho pouco sabia o que estava fazendo, então, virou e deu um tapa na pobre boneca.

Na manhã seguinte, Emília despediu-se dos amigos, ela iria ficar na ilha.
Logo que os amigos atravessaram o lago deu aquele nó na garganta e Emília começou a chorar e berrar:

– NÃO!PEDRINHO!NARIZINHO!VISCONDE!!!
– Oi.
– Visconde?! O que você está fazendo aqui?
– Oh – disse Emília pegando o Sabugo e botando-o no bolso.

Porém, continuou a berrar:

– Não me deixem!!!!

Narizinho ficou com pena da Emília, então, voltaram para buscá-la.
Quando chegaram ao Sítio de Dona Benta, era perto de meia noite. Emília tinha adormecido. Narizinho a carregava e Visconde ainda no seu bolso também tinha adormecido. Dona Benta acordou porque seus netos tocaram a campainha, mas nada quiseram falar. Botaram seus pijamas e foram dormir.

– Boa noite! – disse Dona Benta que nem imaginava o que havia acontecido no País da Filosofia.

Uma aventura da Emília

Felipe

Emília é uma boneca de pano, baixa, asneirenta, faladeira, atrevida e engraçada.
Um dia ela acordou bem cedinho, armou um monte de armadilhas, só para fazer uma pequena brincadeira com Pedrinho e Narizinho. E voltou para a sua cama.

Quando Narizinho acordou gritou:

– Emíliaaaaaa!

Aí a Emília espertinha respondeu um “Oi”, com uma voz de quem estava doente. Mas não estava, era só fingimento. Falou que estava doente e que precisava de uma folha de erva de chá do Sítio.
Chegando ao quarto da Emília, Narizinho caiu em uma das armadilhas, e o chá foi chão afora.
Narizinho ficou decepcionada da vida com a boneca, afinal de contas foi uma sujeira o que a Emília havia feito com ela.  Esse foi mais um episódio de Emília e suas pegadinhas.

Emília e a Matemática

Ana Beatriz

Emília estava no capoeirão, quando viu no chão uma coisa brilhante debaixo de várias folhas. Então ela falou:

– O que será esse brilhante no meio do meu caminho?

Ela abaixou e pegou o brilhante e viu que, na verdade, era um anel de diamantes.

– Batata! – exclamou Emília. – Vou ficar rica com esse anel de diamantes!

Depois de pouco tempo de observação do anel, Emília foi à venda do seu Elias. Lá vendeu o anel pelo preço mais alto que podia: R$ 500,00.

Emília pensou bem em que iria gastar o dinheiro, e escolheu fazer uma festa para toda a vizinhança. Então, pegou seus R$ 500 e foi comprando tudo para a festa: bolo, balão, confete, toalha de mesa colorida. Isso tudo deu R$ 120,00. E ela ficou com 380 reais. Foi para a última loja. Lá, comprou salgadinhos e brigadeiros que deram R$ 280,00. Sobraram R$ 100,00. Com esse dinheiro comprou um vestido rosa para ela usar na festa. Deu exatamente R$ 100,00.

Dois dias depois, no dia da festa, estava tudo pronto. Mas, quando Emília foi botar o seu vestido, ele estava rasgado.

– Carambolas ! E agora, como eu vou para a festa?

De repente a Tia Nastácia apareceu na porta e disse:

– Deixa que eu cuido disso, bonequinha arretada.
– Então, vai logo que a festa vai começar!

Cinco minutinhos depois o vestido estava novinho em folha . Emília botou o vestido e foi para a festa.
Tudo correu bem tirando as grosserias que Emília vive falando…
Mas, afinal, isso é uma história ou um problema de matemática?

Visconde de Sabugosa e a máquina do tempo

Gustavo

Um dia Visconde de Sabugosa estava inventando uma máquina do tempo, quando sem querer a ligou.
Ele voltou para 100 mil anos atrás. Foi parar na era dos australopitecos.

No começo, ficou desesperado. Depois teve a seguinte ideia: estudá-los um pouco antes de voltar para casa. E foi isso que ele fez. Ficou lá um mês e conseguiu viajar de volta com sua máquina.

Quando chegou ao Sítio, todos ficaram impressionados com a máquina do tempo e o estudo dos australopitecos.

Uma viagem à Internet

Francisco Weltman

Olá, meu caro Monteiro Lobato!

Quem está escrevendo sou eu, Visconde de Sabugosa. Estivemos presos no computador, literalmente. Emília, como sempre estabanada, derrubou sem querer o pó de pirlimpimpim no computador e nos prendeu aqui: eu, Emília, Narizinho e Pedrinho. O jogo que estávamos jogando era “Mech Quest”.

Lá naquele mundo do jogo, nós éramos ricos, porque o nosso dinheiro valia muito. Os carros e motos voavam.
A parte melhor foi ir à faculdade de “Mech Quest”. O Pedrinho ganhou um robô gigante, mas para isso teve de virar, o que para a maioria, era um “Capitão Estelar”. Foram 40 reais gastos com o robô, mas parece que todos são ricos. Eles têm tantos robôs, motos, carros e armas. Não me surpreende que todos têm tantos trabalhos. Lá estávamos no ano 8113.

A parte melhor foi ir à faculdade de “Mech Quest”. Fomos a um lugar, que na nossa época, seria um castelo. Hoje é a faculdade mais prestigiada de lá.

Mas nós tivemos de voltar. Emília trouxe um mapa do lugar e o Pedrinho, seu robô, o título do capitão estelar e a moto de capitão. Eu ganhei o código de entrada da faculdade, caso queira ensinar história, e Narizinho, uma insígnia da polícia.

Já vou pegar o pirlimpimpim para as próximas viagens.

Adeus do escritor Visconde.