A proposta

Os textos aqui publicados tiveram como mobilização/inspiração outros tantos textos de diferentes autores e gêneros, relacionados aos temas discutidos em nossas aulas de Português. Não iremos cita-los um a um, mas propor que vocês descubram nas linhas e entrelinhas dos estudantes, lendo as suas palavras, também em diferentes gêneros, e observando as suas dicções.
Foram produções que aconteceram ao longo do semestre e escolhidas por eles para a composição desse informe.

Política

Por Helena Telles

Politizar o poema

é ato;

concluir o objetivo

é arte;

imune corpo, trabalha na independência

ato;

cultivar a transformação da política

arte.

Eram umas vezes

Por Antonia Quintiliano

Era uma vez uma garota. Ela gostava de viajar, ir ao shopping e sair com seus amigos hippies.Os hippies foram um movimento jovem de protesto que nasceu na década de 60. Mas essa garota não era de 1960. Não protestava. Mas ela comprava roupas na feira hippie. Um dia ela saiu com esses amigos pra dar um ‘tapinha’. A maconha quem arranjou foi um dos garotos do grupo.

Era uma vez um garoto do grupo. Ele tinha um irmão e o admirava muito.
Esse irmão já tinha dezesseis anos, tinha uma banda de rock, e tinha maconha. O irmão dava um pouco a ele em troca de tarefas. Isso era o maior motivo pra tirar onda: seu irmão tinha maconha, logo ele sabia tudo sobre o assunto. Mas nem era ele que arranjava a droga, era seu irmão.

Era uma vez um irmão. Ele tocava guitarra na sua banda. Ele fumava, afinal, era muito alternativo. Ele tinha acabado de fazer dezesseis anos e escondia maconha na terceira gaveta do armário. Se sua mãe descobrisse ele tava morto. Ele subia o morro. E comprava de um cara.

Era uma vez um cara. Ele nasceu na favela e iria morrer na favela. A maconha vinha e ele vendia.Toda sua família era metida com o tráfico. Seu irmão havia morrido, foi baleado. E ele também tava fodido. A única que o ajudava era sua mãe.

Era uma vez uma mãe. Ela havia tido dois filhos com 15 anos. Um tinha sido baleado, tudo por causa do tráfico. Ela rezava toda dia pra Jesus Cristo acabar com isso, pra Jesus fazer os filhos dela ficarem bem. Ela rezava para as pessoas pararem de comprar droga. Para o filho parar de vender, pra acabar com a violência.

A menina também protestava por isso. A menina tinha acabado de fumar com seus amigos a maconha que o amigo do grupo que tinha dado que o irmão tinha arranjado, que tinha comprado com o cara. Depois, ela saiu e foi protestar pela paz, na marcha que estava acontecendo em Copacabana.

Mas a paz da mãe ainda não chegou.

Da condição de ser invisível

Por Letícia Nery

Ser invisível é o estado físico de não poder ser visto. É algo transparente em relação à matéria a sua volta.

Ser invisível também é algo da mente, você torna invisível o que não considera importante olhar. Você mesmo é considerado invisível pela sociedade quando é julgado descartável.

Ser descartável é ser algo de pouca importância, que pode se jogar fora.

Ser descartável também é algo da mente. Você diminui o próximo a ponto que sua relevância seja tão pequena que pode vir a ser trocado.

Você mesmo é considerado descartável quando acaba sua relevância social.

Social, ou sociedade, é tudo que nunca deveria abranger a invisibilidade ou a descartabilidade, mas que sempre encontra um jeito de descolorir o que mais precisa de cor.

Saudade de casa

Por Helena Lessa

Minha mãe,

Como vão as coisas? Soube que a festa de São João esse ano foi boa! Tô com saudade de vocês! Espero voltar pro Ceará logo!

Já tem 3 anos que estou aqui e todo dia lembro de vocês! Sinto saudade; saudade de ser alguém além de um cara com o uniforme de zelador e a vassoura, porque aqui no prédio que trabalho não passo disso… limpo o prédio de cabo a rabo e não recebo nem um bom dia! Me tornei só mais um objeto no dia a dia das pessoas! Só uma moradora é simpática comigo, só ela fala por favor e obrigada… Mas outro dia encontrei a Dona Marta na rua e ela não me reconheceu, também, eu tava sem uniforme…

Ganho muito pouco e todo dinheiro que entra, sai. As coisas aqui na cidade grande são muito caras! Mas consegui depositar esse mês R$50,00 no banco para a senhora e tô mandando por um amigo meu uma bola pro meu afilhado!

Mãezinha, sinto muita falta daí, do Ceará, de ser notado, de me sentir necessário… Afinal, quando foi que me tornei invisível aos olhos dos outros?

Manda um beijo e um abraço pra

todo mundo e fica com Deus,

Jeremias

Reflexão pontual

Por João Pedro

Invisível é um modo de estar. Há aqueles que nascem invisíveis. Alguns são rotulados como, e outros se autorrotulam. Mas para realmente ser invisível a pessoa tem que se perder na vastidão da invisibilidade, e de lá não conseguir sair.

Uma verdade

Por Alice Amana

“Política – Arte de centralizar, comandar e gerenciar as massas, fazendo uso de vários recursos para fazer e criar o seu domínio sobre o destino das nações ou países (manipulação com uso metodologias próprias).”

Todo mundo pensa diferente, principalmente falando sobre política. Todo mundo acha que sabe o que é bom pro seu país e, é claro, eu também tenho minha opinião. Acho que esse país tem que ser todo igual, direitos iguais pra qualquer um; que é preciso parar de gastar dinheiro com lazer pra pessoas que já têm tudo e ver que tem uma quantidade absurda de gente que não tem o que comer. Alguns viram bandidos porque têm filho em casa que está chorando de fome, não que justifique, mas…
Esse país tem que abrir os olhos, parar de pensar no que os outros vão pensar e parar de investir em turismo. Começar a investir em casas, comida, igualdade de condições! Fico pensando e vejo como esse país é sem noção. Vamos lá Brasil!! Abra o olho, pense no melhor pra todos!
Desculpe, mas não entendo: torturar quem não crê na mesma coisa que você crê? Porque o outro não acredita no que você acredita! Nós estamos aqui e eu espero que a nova geração faça melhor que vocês, melhor do que a gente está fazendo agora. Que as próximas gerações façam a diferença, que elas mudem tudo que está errado e não cometam os mesmos erros.
Eu não estou dizendo que você tem que achar correto tudo o que eu estou falando, mas, pelo menos, admita, não está tudo bem e não vai ficar tudo bem com o passar do tempo, alguma coisa tem que mudar, várias coisas têm que mudar!
Esse texto não é pra revolucionar nada, esse texto sou eu me expressando e deixando minhas palavras falarem tudo que nunca falei! Acorda Brasil!Talvez eu não tenha falado diretamente de política pra você, leitor, mas pra mim isso que é política. Política não é a “arte de comandar”? Então alguém tem que comandar isso tudo, fazer o certo, e eu digo que as próximas ou até essa geração têm que fazer!

Que possamos abrir os olhos de quem vai comandar esse Brasil porque espero muito que meus filhos morem e conheçam um novo Brasil e toda essa porcaria seja HISTÓRIA, apenas história!

Invisível, eu.

Por Beatriz Braga

“Amorzinho, você tá tão bonita hoje”. Era assim todas os dias, e então eles se beijavam, minha mãe lavava os últimos pratos que faltavam, e dava uma desculpa para ir para cama mais cedo. Logo depois era a vez do meu pai. Marcos, meu irmão mais velho, chegava em casa só lá pelas às onze horas da noite, então eu fingia que achava que meus pais estavam realmente dormindo, e ficava vendo TV até ficar cansado, algo que acontecia lá pelas dez, dez e meia, já que no dia seguinte acordaria às cinco da manhã. Ao contrário de famílias comuns, minha mãe ficava muita cansada por ir dormir cedo, diariamente. Então, após seu despertador tocar, ela ficava mais uma hora na cama, enquanto eu fazia café da manhã para casa inteira e saia para a escola. Quanto ao café, estou seriamente pensando em parar, aqueles desgraçados nunca foram capazes de falar um simples obrigado!
Saia da escola uma e trinta e cinco, pegava dois ônibus e um metrô, quando chegava em casa, estava faminto, tinha sorte quando minha mãe acordava de bom humor e fazia meu almoço. Não temos empregada porque meu pai trabalha à base de bicos, tenho que admitir que tem fluido ultimamente. Ele é tipo um faz tudo, conserta coisas, troca lâmpada, e isso até que tem rendido bem nos últimos meses. Porém, esse trabalho exige esforço físico, o que faz do meu pai, um homem razoavelmente bonito, eu quero dizer, sarado. Quando ele chega em casa após o trabalho, por volta das seis horas, duas frases se repetem todos os dias: “nossa amorzinho, como você tá bonita hoje.” E “greeeeeg para de não fazer nada e vai malhar no porão, que você tá precisando ficar mais fortinho!” mesmo que naquele momento eu esteja fazendo algo surpreendentemente importante, como por exemplo, meu dever de casa. Mas, pelo menos, é bom saber que ele olha para mim, caso contrário não falaria do meu peso! Esse tipo de frase é a única coisa que consigo tirar do meu velho!
Durante a semana passo ansiosamente cada minuto pensando no fim de semana, que é quando eu acordo lá pelas onze e meia, tomo um copo de suco, e saio, sem precisar falar e nem avisar a ninguém, geralmente, não vejo meus pais, e quando vejo é como se não tivesse visto. O que é bom, pois durante o tão esperado final de semana as coisas ficam mais quentes lá em casa. Meu pai passa metade do dia em frente à televisão com uma latinha de cerveja em uma mão e o controle na outra, e a outra metade ele passa batendo na bunda da minha mãe, ou mordendo sua orelha, como se eu não existisse, e naqueles momentos, eu realmente gostaria de não existir, por isso saia cedo, e voltava tarde!
Era durante o fim de semana que gastava minha semanada. Às vezes eu ia ao parque, outras à praia, só para observar as pessoas, a natureza, as pessoas sendo amadas, mas na maioria das vezes ao cinema. E um cinema pequeno, bem informal, uma herança de família. Nunca estava cheio, quase sempre vazio, mas tinha a garota do caixa. Linda, cabelos compridos, castanhos, cheios de cachinhos, seus olhos verdes que lembravam o reflexo do mar, seu corpo escultural, que me deixava sem jeito, e sua voz… sua voz me hipnotizava fazendo com que eu gastasse o resto do meu dinheiro com ingressos, para filmes que eu, honestamente, dormia do início ao fim. E, então, por não ter mais dinheiro, eu tinha de voltar para casa a pé. O que não era tão ruim, pois algumas vezes já evitou com que eu chegasse antes do Marcos que, quando chegava cedo, era cercado de perguntas e discussões por não saberem onde ele esteve o dia inteiro. Já quando ele chegava tarde, meus pais estavam ocupados demais, dormindo cedo. O que sinceramente me intriga e que nenhum do dois jamais perguntou, ou apenas questionou, é onde estive o dia inteiro…!
Era o segundo fim de semana do mês de março e, como qualquer dia, saí com minhas habituais calça jeans clara desbotada, minha bota de couro, e minha camisa xadrez, com cinquenta reais da semanada no bolso, junto com meu celular, que consegui juntando cinco semanadas. E isso representa cinco semanas dentro de casa, ouvindo as baixarias do meu pai, e as risadinhas da minha mãe. Nesse dia eu ia ao cinema, já estava ficando com saudade da garota do caixa. Porém, chegando lá, nada da menina. Resolvi não deixar aquilo me abalar, e fui até o parque, que não ficava muito longe dali. Passei o resto da tarde observando um velho dar comida para os pombos, que, por sua vez, chegavam cada vez em maiores quantidades!
No fim de semana seguinte voltei ao cinema, e lá estava ela, a garota do caixa. Comprei um refri, uma pipoca pequena, e sentei em uma mesinha redonda pequenininha que se encontrava quase em frente ao caixa. E fiquei lá, só olhando discretamente para a garota. Infelizmente, acho que não fui tão discreto assim, meia hora depois ela saiu de trás do caixa, deixando eu me contentar com suas pernas, sua cintura, seu rosto… Não demorou muito tempo, ela se sentou de novo, só que dessa vez na cadeira que se localizava bem ao meu lado. Estávamos a alguns centímetros um do outro, eu comecei a tremer, e sem querer gaguejei:
– O,oo,ooo,
– oi- ela respondeu junto a risonhos:!
– Olá, prazer, Valentina.!
– Oi.!
– Rsrs, qual seu nome?!
– Gree,e,eegório… Mas você pode me chamar de greg!!
– Greg, por que você vem sempre aqui, e muitas vezes nem entra no cinema? – Que diabos eu podia responder?!
– Eeeeee……!
-Tudo bem, não precisa responder! – A gente ficou um tempo conversando, já que não tinha cliente no cinema. Eu descobri que ela trabalha um fim de semana sim, e o outro não, e descobri também que ela era muito simpática. Combinamos de sair no fim de semana seguinte.
– Passei a semana inteira olhando para o relógio, e inevitavelmente passou muito devagar. Quando chegou sábado, já tinha imaginado mil e uma maneiras de como seria aquele encontro. Acordei cedo, tomei café, e botei uma blusa diferente, dessa vez listrada. E, então, fui caminhando até o parque, o lugar combinado. Me despedi dela por volta das sete horas da noite, deixando-a em frente de sua casa. Eu estava muito cansado, cheguei em casa e fui direto para cama. Acordei domingo às duas horas da tarde. Era meu aniversário. Cheguei na sala animado, estava ansioso para receber meu presente, que como sempre era dinheiro, para poder levar Valentina para sair, no fim de semana seguinte. Quando cheguei na cozinha meu pai estava mordendo a orelha da minha mãe enquanto apertava sua bunda, meu dia começou bem! Achei que eles não tinham me visto, então falei bem contente “bom dia”, mas só o que recebi de volta foram as risadinhas da minha mãe. Fui para o quarto bem chateado, porém o que me deixou mais agoniado foi o fato de não ter ficado surpreso com o devido acontecimento!
Foi naquele dia que descobri que era basicamente invisível, era tratado como se não existisse. Bem, na verdade, acho que naquele dia a ficha só caiu, eu já sabia, e só estava adiando aquela terrível sensação!
No fim de semana seguinte, saí com a Valentina, e me dei conta que dessa vez eu não era o que ficava observando as pessoas sendo amadas. Dessa vez, eu era a pessoa sendo amada. E não que eu acredite que para cada um existe uma, e outras coisas do tipo, eu só achava que cada um tem um papel no mundo, e que se ele não é reconhecido pelos próprios pais que seja por outra pessoa.

Machismo lá de casa

Por Antonia Quintiliano

Mulher boa fica e casa. Quando é boa, quando é boa mesmo, cuida de tudo. De noite, sentada na mesa, quando descansa os braços, a mulher boa tem que ajudar o marido que chega em casa.

Tão normal, tão natural.. e se não fosse assim? E se essa mulher, boa como dizem ser, não fosse ensinada a ser assim ?

O homem brasileiro foi ensinado a trazer o dinheiro, já a mulher foi ensinada a transformar esse dinheiro em comida e cuidados. Porque esse trabalho dela não é tão valorizado? O que construiu essa sociedade machista? É a educação, passada de geração em geração. O trabalho de cada um dentro da família deveria ser determinado pelo própria casa.

A mulher servir ao homem é tão antiquado, uma ideia equivocada do poder do sexo masculino, nenhuma pessoa tem o direito de se impor a outra. O que eu sonho é um tanto simples de se dizer, ” igualdade”. Já pôr em prática exige um esforço enorme de mudança de hábitos da nossa sociedade. Mas foi sempre assim, tudo que evoluiu exigiu um grande esforço da nossa sociedade, agora está na hora de mudar isso também.

E você me pergunta se eu acho o Brasil um país machista?

Machismo involuntário

Por Joana Brodt

Vamos examinar os seguintes fatos e tire suas próprias conclusões.”Toda Mulher sonha em se casar.” “Tem Mulher que é pra se casar, tem mulher que é pra cama.”
Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar.”
Pergunto: Qual é nossa voz em qualquer uma dessas situações?
Nenhuma. A sociedade lança frases como essas, que acabam na boca de homens e mulheres, são usadas com terrível banalidade. Nessa mesma sociedade que nos educa, desde pequenos, a agir dessa forma, os garotos sentem a necessidade de mostrar o quanto são “machos” e superiores, e as garotas há muito tempo são instruídas a não usar roupas consideradas provocantes, pois assim poderão evitar ser estupradas ou, pelo menos, terão menos chance de sofrerem essa violência. O que a sociedade julga “provocador” é uma forma de expressão que toda mulher tem por direito e que de forma alguma deveria ser questionada.
Os homens não precisam se preocupar com esse tipo de coisa, afinal são o “sexo forte”.

Na internet me deparei com duas coisas que me indignaram, não eram matérias, artigos ou algo do gênero, eram apenas frases, duas publicações. Uma delas foi a resposta para essa pergunta:

“O que você acha de que quando um garoto fica com várias é considerado foda e a garota que fica com vários puta?”

Eis a resposta:

“ Todo mundo admira uma chave que abre vários cadeados, mas não admira um cadeado que se abre com qualquer chave”
Está ali explicitado, o homem é a chave e, o pior de tudo, é que várias garotas curtiram a publicação.

A segunda publicação:
“Feliz dia da mulher pra quem sabe ser uma”
O que ele quer dizer com isso? Me desculpe, existe algum tipo de curso para que eu possa aprender a ser mulher?
O que realmente me chocou foi o fato de ambos os garotos que escreveram terem a minha idade, provavelmente nem se deram conta do que estava nas entrelinhas de suas publicações. O garoto talvez nem tenha pensado quando se colocou no papel da chave.Isso é um machismo que já virou automático, involuntário.
Isso responde a pergunta? Mesmo, às vezes, de modo mais discreto, o Brasil é um país machista.

Um problema a resolver

Por Alexandre de Morais

O Trabalho Infantil é sempre algo explorador. Ele, com certeza, deveria ser proibido… mas, pensando melhor, se ele já é probido, por que é que tem crianças ainda trabalhando? Vamos pensar juntos no caso.
Eu acho que essas crianças que trabalham, provavelmente são pobres, que simplesmente não têm uma familia que possa sustentá-las, e fazem de tudo para ter um meio de vida, ao menos, que possam viver. Claro, mesmo sendo a mais crítica das vidas possíveis… será esse o modo que vai fazer a vida delas mudar pra melhor?
Bem, eu penso que funciona assim: uma criança quer sustentar a família pra ter uma vida decente, então ela tenta recorrer ao trabalho infantil, mas se o trabalho infantil, que é uma das poucas chances dela continuar a viver, só causa grande risco de morrer, de que adiantará?
É sempre complexo esse tipo de assunto, mas tentar trabalhar para conseguir viver sabendo que você está se prejudicando, levado a morte, é quase como uma carta dizendo pra você se matar de uma forma mais rápida.
Eu não estou querendo dizer que esse pensamento é idiota, porque nós fazemos tudo pela sobrevivência, né? Pelo menos os mais desesperados! E uma criança não fugiria também desse caminho. Se eu pudesse dar uma opinião, diria que o certo é o governo sempre dar a todos, ao menos, um pouco de condição para viver. E quando as crianças estiverem maduras, com capacidade de trabalhar sem levar risco de vida, que não fosse mais tão preciso essa ajuda, a “criança” poderia viver sua vida.
Como já disse, é sempre complexo, e essa é uma opinião, nem sei se isso ajudaria mesmo a resolver o problema, mas ver crianças trabalhando é uma terrivel realidade…é cruel ver que ninguém pensou ainda num meio de resolver isso. Deixar que o trabalho aconteça tambem não vai resolver o problema das crianças. Infelizmente, é algo como se fosse alguém disparando um tiro em uma delas, dizendo: “quer morrer agora, ou morrer tentando?” É o que me parece, Não é que seja a mesma coisa, a frase e o problema. É uma maneira de “brincar” com um sujeito de forma dura e difícil, que a realidade é… não muda, nem se resolve.

Você tem fome de quê?

Por João Lins

Se me fizessem essa pergunta na rua, acho que não saberia como responder.
Talvez fome de democracia. Todos tendo os mesmos direitos. Coisa que não acontece no Brasil, que é um país democrático. Se você sair pelas ruas do Rio de Janeiro, verá muita diversidade social. Com pessoas se tratando de maneiras opostas, só pelo motivo de quem tem mais dinheiro no bolso.
Talvez fome de justiça. Sem políticos corruptos, sem policiais desonestos, agindo depois de pensar, vendo se era ou não era uma boa ideia antes de botar uma ação em prática. Se isso acontecesse, o Brasil seria, obviamente, um país muitíssimo melhor para se viver. Com uma qualidade de vida bem maior, com crianças de rua indo à escola, com moradores de rua conseguindo empregos, deixando as ruas, e por aí vai…
Mas não é assim que a banda toca e, infelizmente, nós temos que dançar conforme a música. Mas, quem sabe, um dia, a banda toque de um outro jeito, um jeito novo para nós, brasileiros. Uma música composta pelo cidadão comum, harmonizando direitos iguais para todos.