Agosto de 2012

Apresentação

Ao chegarem a F5, as crianças já têm muita experiência em produzir textos. Nessa fase já conheceram os mais variados estilos, já escreveram poesias, contos, crônicas, notícias, quadrinhas, quadrinhos, textos informativos… e transitam com bastante desenvoltura por todos eles.

Pensamos, então, em publicar Informes Literários, querendo estimular e compartilhar seus escritos.
“Escrever é impedir o silêncio.

É imprimir a experiência de espanto de estar no mundo.
É estender as dúvidas, confessar os labirintos, povoar desertos.
Escrever é dividir. É me imprimir. É explicitar descobertas.
É não ignorar a fantasia. Ela é matéria prima para desvelar o caminho.
Escrever é um pensar muitas vezes. É costurar, com fio frágil, o real e o sonhado.”
Embalados pelas palavras de Bartolomeu Campos Queirós começamos, aqui está o número 1!

A Proposta

A imaginação e o poder de criação dos seres humanos parecem não ter limites.Quantas invenções já surgiram nesse mundo! Ah, mas e se esses objetos pudessem contar as suas histórias?
Foi esse o convite que fizemos às crianças e a inspiração veio do livro “Memórias de um cabo de vassoura”, de Orígenes Lessa. Vejam o que elas criaram!

A Lâmpada

Juliana 

Olá! Sou uma lâmpada. Vivo numa casa bem aconchegante. Quando estou ‘apagada’ como dizem os humanos, durmo. Já, quando estou ‘acesa’ estou mais acordada do que nunca!
Infelizmente a minha única companhia morreu, o meu bisavô. Era uma lâmpada a gás. Como não era mais usada morreu. Um dia eu também vou chegar a um fim, e espero que quando chegar o meu fim, eu já tenha filhos.
Aqui na casa moram um belo casal com duas filhinhas Alice e Julieta. Uma das meninas tem seis aninhos, ela é a única pessoa que conversa comigo. Por isso gosto dela, converso com ela, brinco com ela! Quando ela está na escola faz uma falta danada no meu coração metálico.
A pior coisa é que a Alice, a menininha de quem eu falei, tem uma irmã mais nova de três anos que sabe do nosso segredo e, só para ver a irmã triste, me acende e me apaga, sem parar. Foi assim que meus pais morreram. Ficaram quentes como lava, e sinto, às vezes, que o meu fim está próximo. Que sorte que eu tenho a Alice para me proteger!
Na fábrica, quando eu estava sendo feita queria ser janela! Se eu quebrasse era só fazer um transplante! Porém, ninguém me avisou que era fábrica de lâmpadas e não de janelas. Fiquei em um desespero total, e se não fosse vendida? E se não fosse usada? E se? Às vezes ficava com vontade de fugir, mas como, se eu nem tenho pernas?
Bem, agora estou feliz com a Alice e minha vida, com exceção da Julieta! Esta diabinha não tem jeito!
Credo!
Bem, tchauzinho!

Memórias de um Peso de Porta

Ludimila Horta

Oi, eu sou o peso de porta e vou contar a minha história para vocês.
Eu estava na praia pegando sol, conversando com os meus amigos e vendo o mar, até que veio um cara gordo, feio e cheirando mal, que ensacolou toda a minha família e nos levou para dentro de uma caixa enorme com quatro rodas, o caminhão. Lá tinham outros sacos cheios de areia que gritavam, gritavam e gritavam. Até que chegamos em um lugar enorme e vieram outros caras. Cada um pegou duas sacolas e aquele cara gordo feio e cheirando mal me pegou e me levou para um lugar, onde vi várias máquinas.
Fui colocado em uma delas, dentro de um balde e jogado numa mesa de ferro.Quando eu olhei para cima tinha um tecido que foi descendo, descendo, descendo até me tampar e me prender num lugar escuro e desconhecido. Depois entrei dentro de outra caixa grande também com quatro rodas, onde fiz uma viagem muito longa, de umas trës horas e meia, para um tal lugar chamado Niterói. Cheguei num lugar onde, finalmente, uma moça linda, morena de cabelos castanhos e longos me pegou e me levou para uma bancada florida e cheirosa. Finalmente uma coisa boa aconteceu!!
Uma hora depois, todas as luzes se apagaram e todo mundo foi embora. Foi aí que voltou a minha tristeza. Quando amanheceu, essa moça foi a primeira a chegar e a felicidade retornou. As outras pessoas foram chegando, até que apareceram os primeiros clientes. Era um pai, uma mãe, uma menina, um adolecente e um bebê. A mãe chegou perto de mim, me girou pra cá, me girou pra lá, até que me segurou firme e me levou para aquela linda moça e essa linda moça me levou a uma máquina e me passou com alguma coisa que apitou.
E aí o bebê me agarrou e me babou, depois de um tempão a menina me tirou da boca do neném. Eles me levaram até uma coisa parecida com aquele caixotão de quatro rodas mas menor, entramos naquilo e fomos andando, até que chegamos numa casa e me botaram no chão de um quarto roxo, cheio de flores. E aqui estou, observando cada passo e os movimentos das pessoas.

A Memória do Trissulfureto Fosfórico

Luana

Olá, meu nome é Trissulfureto Fosfórico. Para explicar melhor, eu sou um minério.
Um dia estava na floresta observando a beleza da natureza até que ouvi um barulho forte e alto, quando percebi que tinha um monstrão passando do meu lado. Era feito com várias rodas que giravam rápido. Ele era controlado por um homem. Ele jogou um papelão em minha direção. O papelão começou a gritar com o monstro:
– Você não tem coração! Você é um idiota!
– O que é isso meu amigo? – perguntei.
– Hã, oi! Quem é você?
– Eu sou um minério, o Trisssulfureto Fosfórico, e você?
– Não dá para ver? Sou o Papelão.
– Bem, por que você está aqui?
O papelão foi me explicando tudo, quando de repente outro monstro veio. Estava escrito uma coisa bem grande nele: FÓSFORO. Então, um bicho-homem veio e pegou a gente. Nós começamos a gritar, não sabíamos por que ele tinha feito aquilo.
Depois fomos para uma indústria e logo já estávamos dentro de uma máquina. Saímos de lá como palito de fósforo.
Certo dia fui vendido para uma mulher linda e morena chamada Luana, a mais maravilhosa de todas. Quando chegamos na casa dela, ela me pegou. Eu estranhei. Ela me arrastou na caixinha e eu comecei a pegar fogo. Depois que o fogo se apagou eu estava queimado, não servindo para mais nada.

A Cadeira

Flora e Fernanda

Sou muito descolada e popular na casa. Todos gostam de mim.
Mas, afinal, eu estou aqui pra falar quem eu sou e de onde eu vim. Vamos direto ao ponto.
Sou marrom, feita de madeira e tenho um estofadinho na barriga. Quem eu sou? A cadeira, é claro!
Eu vim de uma sementinha, fui crescendo e virei porta. Depois demoliram a casa da minha dona, eu fui junto. Decidiram me reutilizar e virei cadeira.
Então, me convidaram para um desfile de modas, em que fiquei dias e dias atrás de uma parede de vidro que eles costumam chamar de vitrine. Minha nova dona passou e me viu. Ela me achou tão linda que me levou para casa. Aproveitou pra levar os meus clones também.
Há alguns dias, em cima da minha grande amiga mesa, eu vi um cartão de estofador! Eles estão achando que eu sou o quê!? Uma velhinha, já na hora de trocar o estofado! Me poupe! Eu só tenho 20 anos!
Dito e feito! Passada uma semana, eu estava lá. Mais parecendo um bolinho cor de rosa do que uma cadeira! Mas não era só eu, a sala inteira estava parecendo um algodão doce, e dos bem docinhos mesmo! Nós preferíamos ser triturados por uma serra elétrica (o que não é uma coisa muito agradável) do que ficar assim, isso é humilhante!
Enfim, essa é a minha história. Com certeza vocês gostaram dela, até logo!
Ass: Cadeira (mais conhecida como: “bolinho cor-de-rosa”)

Memórias Congelantes de um Cubo de Gelo

André 

Vou contar minha história desde meu primeiro estágio, o líquido. Eu era uma simples e inocente porção de água. Tinha um sonho: virar água potável. Um dia me botaram em uma “casa”, fiquei animado, achando que ia virar potável, mas quando me botaram em um lugar frio, perdi o ânimo, virei um cubo de gelo passando para meu segundo estágio, o sólido. No lugar frio fui chamado de cubo de gelo, o médico. Minha função, como o próprio nome já diz, e é verdade, era impedir que os alimentos estragassem. Ainda me lembro de uma vez em que dois cubos de gelo como eu brigavam, então dei uma bronca neles.
Certo dia, quando estava cuidando de conservar um waffle quase invalidado, começou a tocar uma música com o volume muito alto. Então um moço me pegou e me botou em um copo de guaraná. Quando olhei quem bebia, fiquei maravilhado, era Angelina Jolie.
Beijei-a várias vezes, foi bem legal, mas também voltei ao meu primeiro estágio. Fiquei bem triste, não era mais um cubo de gelo, parei de beijar a Angelina Jolie e depois de muito tempo passei para meu terceiro estágio, que foi o último, o gasoso. Subi ao céu e virei uma nuvem. A vista era ótima, adorei lá!
Um dia me enchi de água e virei chuva. Descobri minha origem, que é a nuvem, ou seja, tenho novas chances de virar potável e de voltar a ser um cubo de gelo.

Memórias de uma Borracha

Julia Weinman

Olá, sou uma borracha escolar. Venho do látex, que é uma substância esbranquiçada e pegajosa, que há nas seringueiras. Para extraí-lo, são feitos cortes no tronco da seringueira por onde é escorrido. Depois que o látex é industrializado, vira borracha, e a partir daí imagine o tanto de coisas que podem ser feitas deste material! Pneus, solas de sapatos, materiais escolares, brinquedos, tatames, tapetes, chupetas, bicos de mamadeiras…
Eu acabei virando uma borracha escolar. Vivo num estojo de uma criança, não tenho capinha para me proteger, mas me divirto muito quando meu dono me joga para cima!!! Tenho o desejo de continuar sendo borracha, pois brinco muito com o material do meu dono: quebro as pontas dos lápis, brinco com outras borrachas,… Também existem no estojo o apontador que serve para as pontas dos lápis ficarem apontadas e a tesoura que serve para cortar papéis.
Fico muito triste porque cada vez que sou usada minha vida vai acabando. Se uma pessoa comprar uma borracha e não usá-la, ela viverá mais tempo, porém terá uma vida sem graça. Para mim e para outras pessoas a borracha foi um grande invento, pois sem ela não teria como a gente apagar a escrita. Imagine os textos ruins que não poderiam ser apagados e ficariam um horror!!! Então, valeu o esforço!!!

Eu, o Lápis

Raphael 

Um dia eu fui uma grande árvore. E vieram grandes homens e me cortaram. Lá fui eu para uma indústria de lápis. Enfiaram-me numa máquina que moía madeira.
Dentro da máquina encontrei meu amigo que era a árvore que ficava mais perto de mim no bosque. O nome dela era KHAMA.
Mas nos separamos rapidamente.
Virei um pau triangular e me pintaram de cinza. Depois gravaram em mim “madeira reflorestada”, “Eco Grip 2001”e por último “Faber Castell”
Botaram-me um monte de bolinhas, colocaram-me num lugar frio, que chamavam de papelaria, com muitos outros lápis.
Lá compraram-me por R$ 2,50 e fui para um estojo, que foi comprado junto comigo, e estou sendo usado até hoje.
O nome do meu dono é Raphael.

Memórias de uma Panela

Guido

Minha vida é muito longa, passei muitos anos embaixo da terra, em minas de metal, onde seres humanos cavaram um buraco e me acharam. Arrancaram-me do meu lugar, de meus amigos, parentes e pais. Não sabia o que ia acontecer. Fui levado por homens até uma fábrica. Depois fui botado em um ônibus com várias pedras e minerais. Nós não tínhamos ideia do que iam fazer conosco. Fomos separados e cada mineral foi queimado, torturado, derretido. Depois fui colocado em uma loja. Provavelmente eu seria item de cozinha, ou melhor, tinha me tornado uma panela. Fui vendido para a casa de uma moça rica.
Quando cheguei lá, vi várias panelas, muitas parecidas comigo. Eu era de aço, outras eram de alumínio. Tive vários amigos, só não me dei bem com o cozinheiro. Ele nos tratava muito mal, nos atirava na pia com toda força.
Conhecia vários tipos de sabão para louça e detergentes. Todos muito simpáticos, mas o cozinheiro botava muito sabão e detergente.
Eu era sempre usado para fazer arroz. Isso me torturava. Ficava borbulhando com o fogo altíssimo, pois o cozinheiro não tinha paciência de esperar. Um dia, o cozinheiro queimou o arroz. A dona da casa ficou brava com a atitude do cozinheiro, então o despediu. Botou um novo cozinheiro que não nos atirava na pia com força e botava a quantidade de detergente certa e tinha paciência de botar o fogo baixo.
O tempo passou, passou e passou… Fui ficando amassada, até que um dia fui jogada fora porque envelheci e não tinha mais utilidade.

Memórias de uma Faca

Henrique Brum

Oi, eu sou a faca.
SLINK SLINK!
Desculpe interromper, eu estava cortando uma laranja, mas vou contar a minha história para vocês.
Eu estava num depósito e, de repente, um ser humano me pegou e me cortou, me afiou, me montou e fez outras coisas mais que vocês nem podem imaginar! Quando eu acordei, botaram magia em mim, fiquei tão afiado que hoje eu sou capaz de te cortar ao meio.
Meus irmãos viraram maçanetas e outras coisas de ferro. Sinto muita falta de meus irmãos…Eles poderiam ter virado uma faca que nem eu, mas, numa confusão, eles foram parar em outros depósitos. Eles eram ferros tão bonitos… Acabaram sendo maçaneta…

Memórias de uma Gaveta

Felipe Carlos

Oi! Eu sou uma gaveta!
No inicio eu era uma semente. Fui crescendo e me transformei numa árvore. Quando me cortaram e me levaram para a oficina, eu fiquei nervosa e preocupada, porque eu não sabia o que eles iam me fazer. Eu não sabia se eu ia ser uma cadeira, ou uma mesa, ou qualquer outra coisa que eles poderiam fazer com a madeira .
Eu sempre sonhei em ser uma gaveta e eu virei uma. Mas, eu sofro um pouco quando, por exemplo, alguém me fecha com muita força ou quando uma pessoa me deixa cair…
Bom, agora eu vou ter que ir, porque alguém vai me fechar e parece que vai ser com muita força…Tchau!
Poc!
Ai!!!

Memórias de um Fio Dental

Luiza Sukmann

Eu já fui calça, eu admito. Mas vocês vão entender tudo ao longo da história que vou contar…
Eu era uma linda e branca calça de um homem chamado Augusto Niverlong. Ele tinha acabado de escovar os dentes, e, ao sentar no sofá, percebeu que entre seus dentes ainda havia pedaços de carne e pensou:
“Bem que poderia ter algo fino que alcançasse entre meus dentes e tirasse essa carne infernal. Ah!! Já sei! Primeiro posso pegar esse fiapo da calça e passar entre os dentes, ele é tão fino…”
E aí ele me desfiou toda e me botou numa caixinha.
Ai, como doía quando alguém me usava! Me botam na boca, e isso é tão nojento… ARGH!
Mas eu penso que por outro lado, é muito bom ser uma grande invenção tão usada.