Junho de 2013

A Proposta

Rio de janeiro … Essa cidade com tantos cantos, encantos e contrastes tem muita história para ser contada. E inventada!
Lapa, Santa Teresa, Praia de Copacabana, Arpoador, Pão de Açúcar, Jardim Botânico… Quantas lembranças, quantas impressões, quantos afetos!
Inspirados na crônica “Tamoios do Arpoador”, de Zuenir Ventura, os alunos da F5T foram convidados a escrever a sua prosa poética sobre o seu lugar querido no Rio.
O olhar generoso e apaixonado de nossos alunos pela nossa cidade está aqui, para encantar vocês.

Do Forte, a Beleza

Paulo Zonenschein

Era inverno. Faltava um dia para meu aniversário e estava tomando um suco na confeitaria Colombo no forte de Copacabana. Quando virei minha cabeça e levantei da cadeira, fui direto me debruçar sobre aquele parapeito e ver a praia de Copacabana vazia, pois estava frio. Fazia uns 17º, mas se sentia 14º. Estava congelando. Mas se meus olhos não estavam congelados eu podia ver aquela maravilha do mar bem calminho com um azul esverdeado.
Cada coisa era só uma maravilha. O sol estava se pondo em um tom laranja com uma luz que batia nas nuvens dando as mesmas cores. A água refletia o sol em traços no mar.
A imaginação foi tomando minha mente… Quando olhei para o lado, a praia não estava mais vazia. Havia um bom som saindo naquele tom da beleza apreciada. Tinha umas vinte pessoas sentadas ouvindo… Mas foi chegando mais gente.
Naquele momento não precisava de mais nada, além de dois olhos. Imaginei que deveria chamar minha mãe para ver isso, mas ia perder milésimos da maravilha.
Se aquele parapeito fosse menor eu subiria nele e pularia naquele mar. Descobri que do forte dá para ver o impossível.

MAM

Clara Villas Boas

Numa manhã agradável de Julho saí de uma exposição linda no MAM. E olhando para aquele canto onde vou desde pequena, vi meu avô aflito dizendo para uma garota tomar cuidado na escada. A menina era muito nova, pequena, com cabelos curtos, encaracolados e dourados. Era eu.
De repente os dois sumiram, e fui em direção à saída, onde encontrei uma mulher bonita, comprida e com os cabelos também encaracolados, comprando um livro. Ao seu lado, seu filho bem pequeno. Quando eles saíram percebi que era minha mãe com meu irmão, bebê.
Meu irmão saiu correndo e, ao correr, crescia. Quando chegou nas pedras tinha mais ou menos a idade que tenho agora. Ele me encontrou um pouquinho mais velha do que na primeira miragem. Eu comecei a brincar com meu irmão, pulava de uma pedra para outra, rindo com ele.
Sentei nas pedras onde eu e Joaquim (meu irmão) brincávamos quando pequenos.
Eles e minha mãe também sentaram. Meu pai apareceu sorrindo e sentou conosco. Começamos a conversar sobre aquele lugar maravilhoso.
O sol ia se pondo quando percebi que o MAM, onde vou desde pequena com meu pai, minha mãe, meu irmão e meus avós era minha casa.

Santa Teresa

Marina Vilela

Era verão.
Era verão quando bati os olhos pela primeira vez em um lugar mais que maravilhoso, Santa Teresa.É quase impossível descrever, com meras palavras, o encanto que é aquela beldade.
Em cada canto do bairro brota uma alegria, um fio de esperança e felicidade.Pessoas de todas as idades vão ao bonde e aos bares, que fazem o mais reservado dos homens sorrir.Alguns até dançam, a mais extrovertida das danças, o samba.O som triunfante do pandeiro brinca com meus sentimentos, brinca com todos que ali estiverem.
E toda essa alegria festeira se mistura com uma beleza anormal que, se vista uma vez, nunca mais se esquece.Aquela lembrança, por menor que seja, se mostra incrivelmente significativa, enchendo de emoção o mais frio dos corações.
Os bondes, lindos e de cor amarela, demonstram muita simpatia.O motorista sorri e canta melodias alegres, enquanto os passageiros apreciam a vista.Eu sou um desses passageiros, e sempre admiro a paisagem como se fosse a primeira vez, mais deslumbrada do que nunca.
Nesse lugar, o tempo parece não passar. Eu olho tudo de uma forma carinhosa e meiga, apreciando o ar familiar de Santa Teresa.

Jardim Botânico

Guilherme Coutinho

Jardim Botânico, o lugar das naturezas.
Estou aqui, no lugar onde todas as plantas, árvores, flores e beleza nascem. Fico encantado ao ver tudo isso, representando uma parte do Rio. Quase todo final de semana venho aqui, para apreciar e descobrir: mais uma árvore, uma flor ou planta, tudo ligado à natureza. Está um tempo agradável, mais ou menos uns 24 graus. Vejo as flores caindo. Caindo sobre as flores das mais variadas cores: vermelho, amarelo e roxo. Parece uma viagem. Às vezes não entendo o que acontece de tanto colorido.
Um silêncio. Só ouço pássaros e a água que escorre em um pequeno rio limpo e brilhante com o reflexo do sol. Ai… Que beleza. Quem dera que uma foto ou um belo desenho recordasse bem essa lembrança que tenho.
Engraçado, ando por aqui e não consigo me concentrar em uma coisa só. Olho para um lado me impressiono, para o outro me emociono, todo lado uma nova ilusão. O sol vai se pondo, e não mais iluminando a beleza do Jardim Botânico.

As Maravilhas do Rio

Maria Luisa Lopes Cheuiche

Aconteceu há pouco tempo. Me lembro bem. O dia estava com um sol bem grande iluminando o céu de ponta a ponta. Quase estava me esquecendo, eu estava no topo da Pedra da Gávea! Lá de cima olhei com uma visão 360 graus.
Olhei para o Cristo Redentor, ele parecia vir me abraçar.
Olhando para ele, parecia falar com ele. A nossa conversa demorou horas. Olhando para ele e para o sol que já começava a se pôr, a lua se posicionava e começava a brilhar.
Olhei para baixo e vi um tanto de pedra, o mar, as ondas que batiam na pedra e voltavam, também vi a areia e os prédios altos e baixos com diferentes formatos. Olhava para cima: via uma variedade de nuvens que, coladas no céu azul, quase escurecia o nosso Rio de Janeiro, lar doce lar.

Jardim Botânico

Maria Isabel Duarte Gatti

Numa suave tarde estava eu a caminho do Jardim Botânico. Logo que cheguei lá, vi as belas palmeiras da entrada. Qualquer um se encantaria com a beleza do Jardim Botânico. Fui andando e andando, até que me cansei, sentei num desses bancos que tem no caminho. Acabei dormindo, só por alguns minutos, mais nada. Quando acordei, eu estava enxergando meio embaçado e não consegui ver direito a pessoa que estava na minha frente. Então perguntei quem era ele. Por enquanto ele não disse nada… Perguntei mais uma vez quem era ele, finalmente ele respondeu, para a minha alegria, que era Tom Jobim! Fiquei olhando para ele, depois para a beleza do Jardim Botânico, então perguntei o que ele fazia ali naquele jardim maravilhoso. Ele respondeu, mas não se sabe a qual pergunta ele estava respondendo, porque ele falou que “voar é a vida e a vida é voar!”
Achei maravilhoso o que ele disse, então, de repente desapareceu… Dali a pouco eu não estava mais cansada, e continuei andando até que a noite caiu e surgiram estrelas maravilhosas, como se fossem pedrinhas de rubis. A lua parecia a mãe dessas lindas pedrinhas. Voltei para casa, e no caminho fiquei apreciando as estrelas e a lua!

Pão de Açúcar

Artur Lobão de Melo

Eu estava lá, no Pão de Açúcar, sentado perto de um matinho que tinha por ali, estava super quente, mais ou menos uns 47º, mas arrumei uma bela sombrinha para ficar, ainda estava calor, mas a vista era linda e resolvi ficar por lá.
Estava muito quente como já disse, e comecei a ter alucinações.
Olhando para a Baía de Guanabara, vi vários Sambaquis, que tinham entre 10 e 30 metros, feitos com muitas conchas, ossos, esqueletos de peixe e outras coisas. Também vi os homens entrando em um dos grandes sambaquis, acho que era uma reunião importante.
Depois eu vi a guerra entre os franceses e alguns índios contra os portugueses e outros índios. Os portugueses venceram mas, infelizmente, Estácio de Sá foi ferido por uma flecha envenenada e morreu.
Quando fui acordando, o calor tinha passado. Já ia entrando a noite, fiquei ainda mais um pouco apreciando a vista, e pensando que aquela foi a melhor manhã do mundo.

Maravilhas do Rio

Gabriel José Costa Teles

Eu estava lá no Pão de Açúcar, observando a vista. E mais que encantado, apreciei cada detalhe que eu vi de todos os lugares que olhei: a Lagoa num tom meio verde e as águas balançando de um lado para o outro brincando com o vento; olhei para baixo e vi aquelas pessoas na praia da Urca, aquelas ondas brilhantes e vi o Cristo lá em cima do Corcovado, de braços abertos abraçando o Rio com todas as suas maravilhas.
Foi quando vi minha casa antiga e me lembrei de quando eu era pequeno, lembrei do meu balanço, da minha cabaninha, dos meus cachorros… Mas eu não estava só sonhando eu estava sentindo, vivendo, era uma viagem no tempo. Eu vi meu irmão, minha mãe, minha irmã e resolvi passear no tempo antigo mesmo. Encontrei meus avós, os meus amigos, vi a Lagoa, o Cristo e vi a praia da Urca e cheguei no Pão de Açúcar e percebi que eu apenas estava sonhando acordado.

Na Praia de Ipanema

Antonio Santos Treistman

Eu fui convidado a escrever sobre um lugar do Rio de Janeiro e escolhi a praia de Ipanema. Aconteceu neste verão. A temperatura estava em 45 graus. Eu estava no mar pegando jacaré e ao mesmo tempo olhando a paisagem. Com todo aquele calor não dava vontade de sair do mar.
De dentro da água eu via uma bola quicando lá na areia, mas não dava para ver o rosto da pessoa que estava jogando. Fiquei durante muito tempo vendo aquela bola subindo, caindo, subindo, caindo. Até que eu decidi sair da água para ver quem estava com a bola. Era o Zico! O melhor jogador do Flamengo e um dos melhores do Brasil. Pedi que ele me desse um autógrafo. Eu fiquei surpreso porque ele conseguiu uma caneta, assinou a bola e me deu ela de presente.
As melhores coisas desse dia foram a bola autografada que ganhei do Zico e as enormes ondas da praia de Ipanema.

Homenagem ao Pão de Açúcar

Ian Magalhães Moura Duarte

Teve um verão em que eu pensei algum lugar bonito para visitar. Fiquei pensando por muito tempo… Até que eu escolhi ir ao Pão de Açúcar.
Lá, a gente tem uma ótima vista da cidade.
Resolvi ficar olhando para aquela linda maravilha. Quando me dei conta, minha família toda já estava lá. Aquele momento foi uma coisa fantástica, pena que durou pouco tempo. Como seria bom se esse programa se repetisse mais vezes porque eu adoro passeios ao ar livre com a minha família.
Observando o Pão de Açúcar, comecei a pensar na história dele. Então me lembrei de que quando eu era bem pequeno e ficava imaginando como surgiu aquele morro com uma forma tão bonita, e tinha uma sensação de estar conversando com o Pão de Açúcar. Percebi ter um belo amigo, o Pão de Açúcar.

Uma Tarde na Floresta da Tijuca

Rafaela Morosini Menezes

Em uma tarde de sol, eu estava numa imensa pedra avistando uma linda floresta.
Na pedra eu fechei os meus olhos… Comecei a ver animais que encantavam e completavam o Rio e seus costumes… O magnífico mico leão dourado, comendo suas bananas. A arara azul voando com suas asas. O majestoso tucano comendo frutas, com o seu longo bico.
Depois de um tempo abri os olhos e senti falta deles. Fechei os olhos de novo e vi ao longe Tom e Vinicius conversando sobre algo. Cheguei mais perto e senti que eles estavam conversando sobre uma poesia.
Abri os olhos e me senti tão carioca como nunca,saí correndo e cheguei ao topo da floresta e observei o Cristo. Fiquei ali por um tempo e adormeci num sono profundo.